domingo, 31 de janeiro de 2016

[Referência Literária do Dia) Anne Hathaway




A atriz Anne Hathaway é uma das mais talentosas da nova geração. A atriz atuou em diversos filmes conhecidos do grande público, como Batman, Interstellar, tendo, inclusive, ganhado um oscar de melhor atriz coadjuvante por seu papel em Os Miseráveis. O que pouca gente sabe é que seu nome é uma homenagem dos seus pais ao escritor William Shakespeare, cuja esposa chamava-se justamente Anne Hathaway.

sábado, 30 de janeiro de 2016

JK Rowling revela escola brasileira de magia, Castelobruxo

Por meio do site Pottermore, durante o dia da "Celebração de Harry Potter", a autora JK Rowling revelou onde ficam as 11 escolas de magia que existem no seu mundo fantástico. Entre elas está uma situada no Brasil chamada CasteloBruxo. Veja a arte do local:


O recinto, segundo texto publicado no site, fica dentro uma floresta tropical e é um belo castelo que não pode ser visto pelos trouxas - eles acham que é apenas uma ruína. O guardião é o Caipora, famosas criaturas do folclore brasileiro que são descritos por Rowling como seres misteriosos que surgem na noite para proteger alunos e os animais da região.
Uma antiga diretora da escola era Benedita Dourado, que já ofereceu alguns Capioras para Hogwarts, para que servissem de proteção para a Floresta Proibida. A autora diz ainda que os alunos de Castelobruxo se destacam em Herbologia e Magizoology. Dois dos nomes mais famosos que passaram pelo local foram os bruxos Libatius Borage, famoso pocionista, e o jogador de quadribol João Coelho.
Além desta, Rowling também revelou o nome da escola dos EUA, Ilvermorny. Outras são Uagadou na África, Mahoutokoro no Japão, que também ganharam mais informações. Veja o mapa divulgado no Pottermore:

sábado, 2 de janeiro de 2016

[Referência Literária do Dia] Lana Del Rey


A cantora Lana Del Rey possui uma tatuagem em seu braço direito com os dizeres: "Nabokov Withman". Trata-se de uma homenagem ao escritores Vladimir Nobokov e Walt Whitman.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

[Referência literária do dia] Sasha Grey




Sasha Grey é uma ex atriz pornô que ficou conhecida fora do mundo da pornografia por estrelar o filme Confissões de garota de programa, do diretor Steven Soderbergh (Onze Homens e um segredo). Depois disso, ela largou a pornografia e virou uma espécie de musa "nerd", aparecendo em diversos programas, séries e filmes, além de ter escritos alguns livros. Pouca gente sabe, mas seu nome real é Marina Ann Hantzis. A atriz adotou o pseudônimo Sasha Grey em homenagem ao livro O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. No livro, o personagem principal faz um pacto para que uma pintura sua envelheça no seu lugar. Assim, ele se conserva sempre jovem, ao contrário do quadro, que cada vez mais vai ficando velho.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

[Curiosidades Literárias] Segredo de briga entre Vargas Llosa e García Márquez vai para o túmulo


 

O motivo da briga que separou os prêmios Nobel de Literatura latino-americanos Gabriel García Márquez e Mario Vargas Llosa vai para o túmulo com eles, disse nesta quinta-feira (24) o escritor peruano.

A discórdia ocorreu em 1976 durante um encontro de escritores no México, quando Vargas Llosa deu um soco certeiro no colombiano García Márquez, deixando o olho esquerdo dele roxo e encerrando a amizade de uma década.

A razão da disputa tem sido um enigma para a imprensa e até mesmo para os biógrafos dos dois ganhadores do Prêmio Nobel. Nesta quinta-feira, Vargas Llosa disse na Venezuela, onde os dois se conheceram, que levará o segredo para o túmulo.

"É um pacto entre García Márquez e eu. Ele respeitou isso até a sua morte e vou fazer o mesmo", disse Vargas Llosa respondendo à pergunta sagaz em busca de uma pista sobre o mistério após a morte, na semana passada, do colombiano que revolucionou a literatura.

"Vamos deixar nossos biógrafos, se merecemos isso, investigar o assunto", disse o autor de "Conversa na Catedral" em uma entrevista coletiva, depois da abertura de um fórum "pela liberdade econômica" que ele participou em Caracas, na Venezuela.

Testemunhas presenciais disseram anonimamente, durante anos, que García Márquez foi atingido por Vargas Llosa "pelo o que ele fez para Patricia", a mulher do peruano.

Uma teoria diz que o autor de "Cem Anos de Solidão" poderia ter sugerido a Patricia Llosa que se separasse do seu marido por uma suposta infidelidade dele.

Outra mais complicada garante que Patricia, para se vingar do seu marido, deu a entender que tinha um relacionamento com "Gabo". Aquela briga entre eles ficou registrada em uma foto do fotógrafo Rodrigo Moya na qual García Márquez aparece com o olho esquerdo roxo, mas sorrindo.


Antes, em 1971, Vargas Llosa havia publicado uma análise da obra do colombiano intitulada "García Márquez: história de um deicídio".

Apesar da briga, Vargas Llosa lamentou a morte de Gabo, mas lembrou que aconteceu com García Márquez o que todo escritor gostaria que acontecesse: "que sua obra sobreviva".

García Márquez morreu em 17 de abril aos 87 anos em sua casa na Cidade do México, onde viveu a metade da sua vida.

O Nobel colombiano também se desentendeu com a norte-americana Susan Sontag e o mexicano 

Octavio Paz depois de que os dois condenaram a sua "desonestidade intelectual" pela sua amizade com o líder cubano Fidel Castro.

sábado, 22 de março de 2014

[curiosidadesliterárias] Saiba mais sobre o Index Librorum Prohibitorum, a lista de livros proibidos na história

Maquiavel, Galileu, Kepler, Descartes, Voltaire, Victor Hugo, Jean-Paul Sartre. O que pensadores, cientistas e escritores de épocas tão diferentes têm em comum? Esses são apenas alguns dos autores incluídos no Index Librorum Prohibitorum, da Igreja Católica, a maior e mais influente lista de livros proibidos da História. O índice vigorou por mais de 400 anos, entre 1559 e 1966 - baniu títulos "imorais" e, principalmente, contrários aos pontos de vista da doutrina cristã. Até o século 18, quando o índice já perdia influência, leitores que ousassem possuir as obras vetadas corriam o risco de ser julgados pelos Tribunais da Inquisição como hereges. Para os autores, as penas eram mais graves. Que o diga o teólogo Giordano Bruno, executado na fogueira em 1600.


Tentativas de controlar a informação aparecem na História desde a Antiguidade. Na Grécia e em Roma, políticos e sacerdotes se preocupavam com o que a população deveria, ou não, pensar. Sócrates, no século 4 a.C., foi obrigado a tomar cicuta, entre outros motivos, por "corromper a juventude" ao defender ideias como atribuir ao reconhecimento da ignorância a base da sabedoria. Na era cristã, a seleção dos evangelhos que entrariam na Bíblia já demonstra o esforço da Igreja em moldar a doutrina. Os concílios de Niceia e Roma, no século 4, foram decisivos, assim como decretos papais posteriores. Textos como o Evangelho de Tomé (hoje tido por muitos especialistas como o mais antigo) e o de Judas passaram a ser considerados apócrifos. "A decisão sobre o que seria incluído ou não era política", diz André Barroso, professor de História da Religião e Filosofia da Unicamp. "O Evangelho de João, por exemplo, quase ficou de fora. Mas como seria muito estranho colocar as Cartas de João (que os padres aprovavam) e não reconhecer seu evangelho, ele acabou passando." A própria Bíblia menciona o expurgo de publicações. O Atos dos Apóstolos (19:19) cita uma fogueira de livros de "magia", trazidos por cristãos recém-convertidos, avaliados em "50 mil peças de prata". Um decreto do papa Gelásio I do fim do século 5 é tido como uma espécie de precursor do Index.

Por vários séculos, porém, a Igreja não precisou formalizar as proibições. Na Idade Média, a maioria da população era analfabeta, e os livros, raríssimos. Os exemplares eram reproduzidos a mão por monges. O latim, língua exclusiva às obras até o século 16, era dominado apenas por clérigos e um ou outro nobre. A partir da prensa de Johannes Gutenberg, porém, a coisa muda de figura. Não por acaso, o primeiro livro que ele imprimiu foi a Bíblia (em latim), em 1455. Em pouco tempo, a capacidade das prensas era de 3,6 mil páginas impressas por dia. Muito mais do que permitiam técnicas anteriores ou as mãos calejadas dos monges copistas. A novidade se espalhou com rapidez e, em 1500, os equipamentos da Europa Ocidental já produziam mais de 20 milhões de exemplares.

A oferta (que já não se limitava ao latim) alimentava a procura. E disparou o sinal amarelo dos governos constituídos, que passaram a regulamentar a atividade das gráficas. Na Londres de meados do século 16, o trabalho de impressão foi restrito a duas universidades e às 21 prensas já existentes na cidade. Na França, em 1546, o gráfico Etienne Dolet foi queimado, acusado de disseminar o ateísmo.

Com a Reforma protestante, iniciada por Martinho Lutero, em 1517, a Igreja cai em xeque. Teólogo respeitado, quando abandona o catolicismo, Lutero traz consigo quase todo o clero da Alemanha. Para que a manobra desse certo, porém, era preciso mobilizar a população a seu favor. Assim, ele traduz a Bíblia para o alemão e converte a edição das Escrituras em idiomas locais numa bandeira protestante. As versões ajudaram a alfabetizar muitos fiéis. Antes disso, nem o baixo clero tinha acesso aos textos sagrados. "Era o que a Igreja temia: que novos cismas pudessem acontecer no seio da religião", diz André. É no contexto da Contra-Reforma, portanto, que surge o primeiro Index Librorum Prohibitorum. Em 1559, o papa Paulo IV vetou cerca de 550 obras e seus autores. Listas do tipo já haviam aparecido nos Países Baixos, em Veneza e em Paris, mas foi mesmo com o Index que a censura deslanchou. Até para os católicos, porém, o primeiro índice foi considerado muito restritivo. Uma nova versão, o Index Tridentino (mais liberal), foi lançada em 1564. Essa relação foi a base para as futuras edições até 1897, quando Leão XIII definiu o Index Leonino. Cada papa podia "emendar" a lista, mas as citadas acima tiveram maior destaque.

O primeiro alvo dos vetos, claro, foram Lutero e outros teólogos protestantes. A partir de 1571, foi criada a Sagrada Congregação do Índex, encarregada de avaliar os livros denunciados em Roma. Além de proibir autores, a comissão sugeria correções para certas obras, que poderiam ser publicadas se ajustadas. Nietzsche e vários autores ateus acabaram de fora da relação: desde o Index Tridentino, obras notadamente heréticas, que contrariavam o dogma católico, eram proibidas por definição, sem necessidade de reafirmar isso na lista.

A Igreja adotou ainda uma forma de censura prévia: o imprimatur. Quem quisesse ter o aval da instituição podia submeter seus livros ao bispo, que recomendava (ou não) a publicação, na íntegra ou com alterações. Na primeira página ou na capa, vinha o selo de imprimatur (do latim, "deixem ser impresso"). Mecanismo similar foi utilizado por outras igrejas, como a Anglicana. Isaac Newton, por exemplo, teve de pedir autorização ao arcebispo de Canterbury para publicar seus Princípios da Matemática.

Nos primeiros séculos de atuação, o Index e a Inquisição se complementavam. Alguns processos admitiam direito de defesa e outros corriam de forma sumária. Uma retratação pública, eventualmente, poderia evitar penas mais duras. Galileu recuou da defesa do heliocentrismo e escapou da morte. No século 19, esse deixou de ser um dogma, e as obras do italiano saíram do Index. Também a freira Faustina Kowalska, que escreveu sobre as visões que tivera de Jesus e Maria, foi reabilitada. Seu relato, proibido em 1959, permaneceu assim por 20 anos, mas acabou liberado... Ela foi canonizada em 2000.

Decadência

Entre os séculos 18 e 19, os regimes absolutistas perdem terreno na Europa, na esteira da Revolução Francesa. Diante do Iluminismo, a Igreja também enfrenta resistência. Autores como David Hume e Denis Diderot são vetados, mas, na prática, o Vaticano perde poder para impor a censura. Em 1917, a Congregação do Índex é incorporada ao Santo Ofício. Lá, a lista permaneceu até 1965, quando após nova mudança de nome, nasce a Congregação para a Doutrina da Fé. No ano seguinte, o Index foi extinto - já não era atualizado desde 1948. A última edição alcançou 4 mil títulos. "A Igreja não fez uma retratação. Ela reconheceu que o mundo mudou", afirma André Barroso. Ou seja, tais livros ainda são "perigosos", mas a legislação canônica não trata mais do tema. Autoridades do clero ainda hoje podem emitir um admonitum, advertência sobre os riscos de determinada obra (seja qual for a mídia). Foi o que aconteceu quando Dan Brown lançou o Código Da Vinci, em 2003, ficção que atacava a Opus Dei.
Se a Igreja Católica deixou de listar títulos indesejados, nem de longe isso significa o fim da censura. A perseguição pode ser comum em outras religiões - Salman Ruhsdie passou a ser ameaçado de morte por fundamentalistas islâmicos depois de publicar Os Versos Satânicos, em 1989 - e mesmo governos democráticos usam brechas legais para conter informações indesejadas. Sem mencionar a pressão política e financeira. De qualquer forma, na era da internet, é tarefa cada vez mais difícil controlar a informação.

A portas fechadas
Como eram avaliadas as obras

Longe dos olhos do público, os membros do clero tinham debates acalorados sobre o que deveria ou não ser incluído no Index. O trabalho começava com uma denúncia: os católicos podiam sugerir livros que achassem "perigosos". Dois consultores eram nomeados para analisar cada obra. Suas conclusões eram então apresentadas aos cardeais da Congregação do Índex, em seus três ou quatro encontros anuais. Um relatório da discussão era produzido e submetido à aprovação do papa. Pesquisadores que tiveram acesso a esses relatórios, abertos pelo Vaticano nos anos 1990, estimam que o número de livros denunciados e investigados pela Igreja era pelo menos o dobro dos que efetivamente foram proibidos. O Mein Kampf, de Adolf Hitler, analisado por três anos, acabou "inocentado".
 

domingo, 23 de fevereiro de 2014

[Curiosidades Literárias] A viagem de Júlio Verne de volta ao mundo em 72 dias

A repórter norte-americana Nellie Biy quis repetir a viagem inventada por Júlio Verne. Conseguiu chegar ao ponto de partida antes do personagem Phileas Fog



O estômago estava embrulhado. Olhando para baixo, na amurada do navio sobre o Atlântico, deu vazão ao desconforto. Ela enxugou os olhos marejados, mas a náusea continuava. O barco mal deixara o porto de Hoboken, nos Estados Unidos. Quando se virou, viu sorrisos no rosto de outros passageiros no convés. "E ela vai viajar ao redor do mundo!", comentou um homem com sarcasmo. Apesar de ter se juntado às gargalhadas, foi nesse momento que a repórter norte-americana Nellie Bly percebeu o tamanho de sua ousadia de tentar a dar a volta ao mundo. Ela nunca tinha viajado de navio. Foi a primeira vez que considerou a possibilidade de não ser bem-sucedida na empreitada. E ainda faltavam mais de 27 mil quilômetros para percorrer de barco.


A ideia de dar a volta ao mundo surgiu em uma noite de domingo, mais de um ano antes, no outono de 1888. Enquanto buscava sugestões de reportagens para o jornal The New York World, de Joseph Pulitzer, Nellie percebeu que queria mesmo era estar no outro extremo do globo. E logo pensou que, após trabalhar anos sem nunca tirar férias, o ideal seria fazer com que o jornal a enviasse para lá. Após 15 anos da publicação de A Volta ao Mundo em 80 Dias, de Júlio Verne, viajaria ao redor do planeta para tentar bater o recorde de 1 920 horas de Phileas Fogg, o protagonista do livro. Ao apresentar a proposta, descobriu que o jornal já tinha planos de enviar um homem na jornada. Afinal, "uma mulher precisa de um protetor, e mesmo que fosse possível viajar sozinha precisaria levar tanta bagagem que perderia muito tempo nas rápidas mudanças ", disse George Turner, diretor comercial do jornal.

Nellie já estava habituada a ouvir o que uma garota deveria ou não fazer. Nascida Elizabeth Jane Cochran, em 5 de maio de 1864, logo aprendeu a enfrentar desafios. Era órfã de pai desde os 6 anos e viu a fortuna da família virar pó. Aos 16, mudou-se para Pittsburgh, onde ajudava a mãe com tarefas da casa, que abriram a pensionistas para complementar a renda.

Aos 21 anos, Elizabeth leu um editorial no The Pittsburgh Dispatch, "Para que meninas são boas". O artigo repreendia mulheres até por tentar ter educação ou carreira, sugerindo que deveriam ficar em casa. Isso a enfureceu a ponto de escrever uma carta ao jornal, assinando como "Orfãzinha". O editor George Madden ficou tão impressionado com a resposta que colocou um anúncio para que a órfã fosse visitar a redação e ofereceu-lhe a oportunidade de fazer um texto de resposta.

Elizabeth foi para casa e escreveu seu primeiro artigo, "O enigma feminino". Madden lhe ofereceu trabalho como jornalista sob o pseudônimo de Nellie Bly (nome de uma canção popular da época). A jornalista Brooke Kroeger, autora da biografia Nellie Bly ¿ Daredevil, Reporter, Feminist (sem tradução), afirma que Nellie não era nenhum gênio e nem uma escritora primorosa. "Ela era apenas alguém que conseguia executar o que quisesse."


 
Chegar primeiro

"Enviem um homem e eu começarei no mesmo dia por algum outro jornal e chegarei antes", disse Nellie. John Cockerill, editor-chefe do The World, já a conhecia bem o bastante para saber que ela não estava blefando. Após receber a oferta de outro viajante para fazer a viagem ao redor do mundo em menos de 80 dias, os editores do The World perceberam que corriam o risco de outra publicação bancar a aventura antes deles. No dia 11 de novembro de 1889, Nellie Bly foi convocada às pressas ao jornal. "Você pode começar a rodar o mundo depois de amanhã?", perguntaram. "Posso começar neste minuto", respondeu.

Na manhã seguinte, ela se encontrou com o estilista William Ghormley requisitando um vestido para aquela noite, que "aguente o desgaste constante de uso por três meses". Às 5 da tarde, ela estava fazendo a prova final de uma peça feita com pelo de camelo. Para complementar, comprou um casaco xadrez e uma bolsa de mão. Conseguiu reunir numa mala pequena roupas íntimas, papéis, canetas e tinta, itens de higiene, copo, garrafinha, chinelos, roupão, lenços, casaco, chapéu e um hidratante para o frio, o maior item da bagagem. "O mais aventureiro, mais do que qualquer parte específica de sua viagem, foi a própria ideia de fazê-la - e levando apenas uma bolsa!", diz Matthew Goodman, autor de Eighty Days: Nellie Bly and Elizabeth Bisland's History-Making Race Around the World (sem tradução).


Bênção de Verne

O clima ruim fez com que o desembarque na Inglaterra atrasasse. Se perdesse o trem da noite para Londres, estaria atrasada para todos os demais embarques. Por intervenção do correspondente local Tracey Greaves, pôde tomar o trem que levaria a correspondência para a capital inglesa, de onde rumou para a França. Graças a um desvio de rota e a decisão de perder duas noites de sono, encontrou o autor que a inspirara a viajar.

Em Amiens, Júlio Verne abriu sua casa à repórter e se interessou por qual seria a trajetória. "Por que você não vai a Mumbai, como meu herói Phileas Fogg?", perguntou o francês. "Porque estou mais ansiosa para chegar com rapidez do que em salvar uma jovem viúva", disse Nellie, fazendo referência à indiana Aouda, salva pela intervenção do viajante do livro.

Da França, partiu para Brindisi, na Itália, de onde faria a travessia do Mediterrâneo a bordo do navio Victoria. Poucos dias após ter embarcado, surgiu um rumor de que Nellie seria uma herdeira norte-americana viajando com uma escova de cabelos e uma carteira recheada. Isso fez com que dois passageiros propusessem casamento a ela. Os dias passavam e Nellie seguia seu roteiro por portos sob domínio britânico. No Sri Lanka, o antigo Ceilão, ela teve uma infeliz surpresa. Uma parada rápida acabou se arrastando por cinco dias. Ao deixar Colombo a caminho de Hong Kong, a embarcação enfrentou uma monção, mas, ainda assim, chegaram ao destino com dois dias de antecedência.


Competidora

"Qual é o seu nome?", perguntou a ela um homem do escritório de navegação em Hong Kong. "Você vai perder", afirmou o rapaz. "O quê? Acho que não. Compensei meu atraso", ela disse. "Você não está fazendo uma corrida ao redor do mundo?", quis saber. "Sim, estou em uma corrida contra o tempo", retrucou Nellie. "Tempo? Não acho que seja o nome dela. A outra mulher vai ganhar. Partiu daqui há três dias", disse o jovem. A "outra mulher" era Elizabeth Bisland, que também partiu de Nova York no dia 14 de novembro. Ela era a desafiante da revista Cosmopolitan. "Prometi ao editor que iria dar a volta ao mundo em 75 dias, e se conseguir isso estarei satisfeita. Não estou competindo com ninguém. Se alguém quiser fazer a viagem em menos tempo, que se preocupe com isso", disse.

Para piorar, ela ainda teria de ficar parada por cinco dias na China. Do continente para Yokohama, no Japão, tudo foi rápido e tranquilo. O mesmo não pode ser dito dos primeiros dias no Pacífico. Desembarcou em São Francisco duas semanas depois.

Nos EUA, Nellie percorreu o país em um trem fretado pelo jornal para que completasse a viagem e chegou ao seu destino, Nova Jersey, em 25 de janeiro de 1890, quebrando todos os recordes de circum-navegação. "A volta ao redor do planeta tornou Nellie Bly uma celebridade mundial, mas no geral teve um efeito negativo sobre a sua carreira como jornalista", afirma Goodman. Segundo ele, Bly se tornou muito famosa para continuar a trabalhar como repórter infiltrada. Pouco depois, casada, abandonou o jornalismo. A aposentadoria só foi quebrada no século 20. Nellie foi a primeira mulher a atuar como correspondente na Primeira Guerra Mundial.