domingo, 19 de abril de 2009

Destinos Literários: São Petesburgo


Quem ao ler um livro, nunca imaginou os cenários descritos nele? Será que na realidade, ele se parecem com os cenários que imaginamos em nossas cabeças? Essa série visa responder essas perguntas. E para começar, vamos conhecer um pouco de São Petersburgo.

São Petersburgo é a cidade onde se passa a maioria das histórias de autores russos do século XIX, como, por exemplo, Dostoiévski e Tolstói. É nessa cidade onde se passa a história de Crime e Castigo, Noites Brancas e boa parte de Guerra e Paz.

Fortaleza de Pedro e Paulo, localizada as margens do rio Neva

A cidade foi fundada em pelo tzar Pedro, o Grande em 27 de maio de 1703 e serviu de capital para o Império Russo por mais de 200 anos. Velejando pela embocadura do rio Neva, recém conquistada aos suecos durante a Guerra do Norte, o czar Pedro, o Grande, decidiu desembarcar na pequena ilha de Zayachii ostrov. Arregaçando as mangas, ele que apreciava o trabalho físico, deu início as escavações do que viria a ser a futura fortaleza de Pedro-Paulo (que, em tempos de paz, pelos dois séculos em diante, serviu como central de encarceramento dos inimigos políticos do regime). Ao redor dela, nos canais que ainda seriam abertos, o czar mandou então que erguessem uma majestosa cidade. Exigiu-a de pedra para que a presença russa no Mar Báltico fosse para sempre. Uns anos antes ele viajara para o Ocidente, visitando a Alemanha, a Inglaterra e a Holanda, impressionando-se vivamente com a prosperidade reinante. Encantou-se quando viu a assombrosa paisagem de embarcações que os estaleiros de Amsterdã estavam construindo.

Palácio de inverno


Ponte sobre o rio Neva

A Rússia tinha que deixar de ser asiática, dar um basta nos hábitos tártaros, fazer aparar ou cortar aquelas barbas imensas que os mujiques, os camponeses, usavam, imitando os patriarcas bíblicos. Era essa a razão que o levou a fundar no dia 27 de maio de 1703 a sua nova capital: São Petersburgo (homenagem a São Pedro). Através dela, transferindo o trono de Moscou, a Rússia ingressaria na Europa. Para melhor supervisionar as obras, um projeto do arquiteto francês Jean-Baptiste LeBlond, ele alojou-se numa izbá, uma casinhola, onde ficou pelos primeiros cinco anos, até 1708. O custo humano foi terrível. Dizem que boa parte dos palácios e demais prédios públicos foram erguido sobre o ossuário dos operários mortos, gente que ele arrebanhou de todos os lugares do país. Fundada, disse o historiador N. Karamzin “sobre lágrimas e cadáveres”. Pedro não viu a cidade pronta, mas a estrutura urbanística permaneceu sempre a mesma. Diderot, estranhando aquele translado de Moscou para a beira do rio Neva, comentou que “era o mesmo do que colocar o coração na ponta do dedo”. O produto final, porém, foi uma maravilha. Os russos, que a chamam de Veneza do Báltico, até hoje dizem que ela é a mais bela cidade do mundo Pode ser, mas distou longe de ser a mais feliz.


Famoso Mercado do Feno em 1900, local de várias passagens de Crime e Castigo

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