sexta-feira, 22 de maio de 2009

Nem Dostoiévski escapou da prisão russa

Por pouco o mundo ficou sem conhecer as melhores obras de um dos mestres da literatura universal. Aos 28 anos, o russo Fiodor Mikhailovitch Dostoiévski tinha escrito apenas seu primeiro livro, Pobre Gente, quando foi preso e condenado à morte na Rússia – o escritor não agradava as autoridades por causa de suas atividades consideradas subversivas e as idéias taxadas de contrárias à moral e à religião do tempo dos czares.

Em 1849, Dostoiévski já estava enfileirado em posição de fuzilamento quando sua pena foi suspensa. Na verdade, tudo não passou de uma forma de tortura psicológica aplicada pelo czar Nicolau I. Embora “perdoado”, ele não foi solto, e seguiu para a Sibéria. Lá, ficou quatro anos preso em Omsk, obrigado a fazer trabalhos forçados (como extrair minérios) numa fortaleza que, anos mais tarde, após a Revolução Russa, inspiraria os gulagui, campos de trabalho soviéticos. Ficou também mais cinco anos servindo como soldado em Semipalatinski.

De suas memórias, saíram Recordações da Casa dos Mortos e registros em Um Idiota. “Dostoiévski inaugurou assim o romance-documentário, que no século 20 foi seguido por Alexandre Soljenitsin, em Arquipélago Gulag, também autobiográfico”, afirma Homero de Freitas Andrade, professor da literatura russa da USP. “O mais importante é que, bem ou mal, ele pôde conhecer mais a fundo a mente humana, já que estava preso com assassinos e estupradores. Isso serviu como fonte para seus personagens e livros.

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