sábado, 30 de Maio de 2009

Primeiro romance de Juan Carlos Onetti ganha tradução para o português


Em julho, o Brasil recebe, por fim, em português, "O Poço", a primeiro romance publicado pelo uruguaio Juan Carlos Onetti (1909-1994), em 1939.

O lançamento, inédito em território nacional, faz parte das comemorações do centenário de nascimento do autor --em 1º de julho--, chamado de "escritor de escritores" por conta da singularidade de seu estilo e da qualidade que imprimiu aos escritos que ostentaram sua assinatura.

"O Poço", sobre um homem prestes a completar 40 anos que repassa suas memórias em uma noite, chega às livrarias brasileiras pela editora Planeta.
No mesmo volume (R$ 38, 168 págs.), é editada também pela primeira vez em português a novela "Para uma Tumba sem Nome", de 1959, que trata da relação entre um rapaz e uma misteriosa mulher.
Ganhador do Prêmio Cervantes, em 1980, Onetti é citado como referência por autores como Vargas Llosa --que, neste ano, lançou "El Viaje a la Ficción" (a viagem à ficção, ainda sem previsão de lançamento no Brasil), ensaio em que mergulha na obra do uruguaio.
"Sem dúvida, a autenticidade dele o torna admirável por seus pares. Mas há muito mais elementos que têm a ver com o uso da linguagem, com a criação de um mundo, que faz com que ele seja um dos grandes nomes da literatura escrita em espanhol", diz à Folha a uruguaia Hortensia Campanella, editora das "Obras Completas" do autor e uma das maiores especialistas em sua obra.
Em "O Poço", segundo ela, é possível observar "concentradas várias das linhas capitais da obra narrativa do escritor: a figura do sonhador, a atmosfera de decadência e insatisfação, um existencialismo precoce para o século 20 que pode ser associada mais com Dostoiévski do que com Sartre".
Já "Para uma Tumba sem Nome" é um "marco em relação ao ciclo de narrativas em torno de Santa María, esse território mítico que Onetti cria como sustentáculo de suas histórias". Na novela, surgem vários personagens recorrentes em textos seguintes, como Dr. Díaz Grey ou Jorge Malabia.
Visão panorâmica
Para Rogério Alves, gerente editorial da Planeta no Brasil, o lançamento simultâneo dos dois textos do autor possibilita uma "visão panorâmica interessante, é como assistir ao desenvolvimento de todo um estilo num mesmo livro".
Além desses títulos, a editora prepara ainda para julho uma reedição em novo formato e com novas capas de "Vida Breve" (1950), "O Estaleiro" (1961) e "Junta-Cadáveres" (1964).
Os lançamentos no Brasil inauguram a coleção Planeta Literário, que contará com obras não só do criador da portuária e lúgubre Santa María mas também de autores como o espanhol Juan José Millás, o colombiano Mário Mendoza e a neozelandesa Janet Frame, mais para o final do ano. O objetivo é publicar escritores de destaque da cena literária nacional ou internacional, sem restrições de região ou idioma.
Na Espanha
Onetti não reaparece inédito só no Brasil. O conto "El Último Viernes" (a última sexta-feira), doado em março pela filha do escritor, Isabel María "Litty" Onetti, à Biblioteca Nacional do Uruguai, estará no terceiro e último volume das "Obras Completas" do autor, editadas na Espanha pela Galaxia Gutenberg/Círculo dos Leitores.
"É um texto que em vida ele não publicou e permaneceu em poder da filha. Porém, ao se tornar pública sua existência, é natural que apareça nas 'Obras Completas'", diz Hortensia Campanella, que coordena desde 2006 a série com romances e textos do autor.
Também diretora do Centro Cultural de Espanha em Montevidéu, Campanella afirma que o volume terá ainda outros trechos inéditos.
"Ainda que Onetti se encarregasse de eliminar os textos que não desejava publicar, nesse volume incluímos alguns que encontrei entre seus papéis", diz Campanella.
Em sua versão original, o conto está escrito a lápis e tem cinco páginas, concluídas por volta de 1950. O material já havia sido exposto em 2006, em Montevidéu, na exposição "Onetti: una Larga Confesión" (uma extensa confissão), acompanhado de fotos, livros, documentos e objetos do escritor.
A previsão é de que o livro saia da gráfica ainda neste semestre. Na América Latina, sairá pela editora Sudamericana.
Veja trecho da tradução a seguir.
"Parei de escrever para acender a luz e refrescar os olhos, que ardiam. Deve ser o calor. Mas agora quero fazer algo diferente. Algo melhor que a história das coisas que aconteceram comigo. Gostaria de escrever a história de uma alma, dela sozinha, sem os acontecimentos em que teve de se envolver, querendo ou não. Ou dos sonhos. Desde algum pesadelo, o mais longínquo que eu lembre, até as aventuras na cabana de troncos.
Quando estava na fazenda, sonhava seguidas noites que um cavalo branco pulava em cima da cama. Lembro de alguém falando que a culpa era do José Pedro, porque ele me fazia rir antes de deitar, assoprando a lâmpada elétrica para apagá-la.
O curioso é que, se alguém dissesse de mim que sou ´um sonhador`, isso me incomodaria. É absurdo. Vivi como qualquer um, ou mais. Se hoje quero falar dos sonhos, não é porque não tenha outra coisa para contar. É porque me deu vontade, não por alguma razão especial.
Existem outras aventuras mais completas, mais interessantes, mais bem-ordenadas. Mas fico com a da cabana porque vai me obrigar a contar um prólogo, algo que aconteceu no mundo dos fatos reais há uns 40 anos. Poderia ser um plano, também, ir contando um ´acontecimento` e um sonho. Ficaríamos todos contentes."

quinta-feira, 28 de Maio de 2009

Qual é a origem dos personagens que formam A Liga Extraordinária?

Os personagens desse filme de aventura, são famosas criações da literatura universal. Antes de virarem atração cinematográfica, eles foram reunidos primeiro numa história em quadrinhos (HQ): As Aventuras da Liga Extraordinária, trazida ao Brasil pela Pandora Books em 2001. Escrita pelo inglês Alan Moore e ilustrada por seu conterrâneo Kevin O’Neill, a HQ conta as aventuras de um grupo singular de agentes secretos que zela pela paz na Inglaterra do final do século 19.

O time de heróis fantásticos reúne personagens clássicos da literatura, como Mina Harker (do romance Drácula, de Bram Stoker), Capitão Nemo (de Vinte Mil Léguas Submarinas, de Júlio Verne) e Henry Jeckyll e Edward Hyde (as duas personalidades do mesmo homem, que aparecem no romance O Médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson). Nos quadrinhos, até o vilão que esses agentes enfrentam é inspirado na literatura: James Moriarty, arquiinimigo do detetive Sherlock Holmes - ambos criações do escritor Arthur Conan Doyle. Quando a HQ foi adaptada para o cinema, entretanto, o roteiro dos quadrinhos foi ignorado e uma nova trama foi criada. No filme, quem ameaça o planeta é um bandido chamado The Fantom ("O Fantasma"). Outros dois personagens que não fazem parte da HQ foram inseridos na fita para reforçar o time dos agentes: Tom Sawyer e Dorian Gray. A diferença em relação a The Fantom é que ambos também fizeram história na literatura, sendo criados, respectivamente, por Mark Twain e Oscar Wilde.

Allan Quartemain


Interpretado por Sean Connery, esse explorador inglês e herói colonialista é protagonista dos romances As Minas do Rei Salomão e Allan Quartemain, do escritor britânico Henry Rider Haggard (1856-1925). Os livros narram as expedições e aventuras de Quartemain no continente africano.

Mina Harker


Na TV, é possível conferir Peta Wilson como a agente secreta Nikita, no seriado de mesmo nome. Em A Liga Extraordinária ela é Mina Harker, personagem do romance Drácula, do escritor irlandês Bram Stoker (1847-1912). No livro, Mina é perseguida pelo famoso vampiro, que acredita ser ela a reencarnação de sua antiga amada.

Dr. Henry Jekyll e Mr. Edward Hyde


No livro O Médico e o Monstro, do escocês Robert Louis Stevenson (1850-1894), Dr. Jekyll se transforma no horripilante Mr. Hyde, após uma experiência malsucedida. Quando volta a si, ele tenta descobrir um antídoto para se livrar da maldição dessa dupla personalidade. No filme, o papel do médico ficou com o ator Jason Flemyng.

Tom Sawyer


O personagem do clássico infanto-juvenil As Aventuras de Tom Sawyer , do escritor americano Mark Twain (1835-1910), é um jovem que, ao lado do amigo Huck Finn, envolve-se em várias confusões. Tudo se passa no sul dos Estados Unidos e Twain aproveita a obra para criticar a escravidão. No cinema, o papel é de Shane West.

Dorian Gray


O protagonista de O Retrato de Dorian Gray, único romance do escritor irlandês Oscar Wilde (1854-1900), é extremamente belo e sedutor. Enquanto todos a sua volta sentem o passar dos anos, ele permanece jovem. É que em seu armário um retrato envelhece por ele. O ator Stuart Towsend é o agente imortal na versão cinematográfica.

Homem Invisível

O ator Tony Curran é Hawley Griffin. Esse cientista, criado no romance O Homem Invisível, do escritor inglês H.G. Wells (1866-1946), pensa ter descoberto a fórmula para tornar as pessoas invisíveis. Obcecado, ele testa a experiência em si próprio, com resultados funestos. No filme, por causa de direitos autorais, o personagem se chama Rodney Skinner.

Capitão Nemo


O ator indiano Naseeruddin Shah assume o papel do lendário comandante do submarino Nautilus, criado pelo escritor francês Júlio Verne (1828-1905) no livro Vinte Mil Léguas Submarinas, um clássico da ficção científica. Na obra de Verne, o Capitão Nemo viaja pelas profundezas do oceano e não hesita em afundar navios de guerra

terça-feira, 26 de Maio de 2009

"A literatura é como a cocaína", diz Iggy Pop


"A literatura é como a cocaína, e a música é como a heroína: a primeira aguça o espírito, a segunda te idiotiza", disse Iggy Pop, 62, à agência de notícias France Press. O roqueiro lança no dia 1º de junho o disco "Préliminaires", inspirado no romance "A Possibilidade de uma Ilha", do escritor francês Michel Houellebecq.

"A literatura é muito importante para mim. O livro de Houellebecq ilustra coisas que eu tinha em mente em relação ao sexo, à morte e ao sexo oposto", explica o cantor. "Em minhas obras de juventude já havia muitos ecos de Burroughs, Kerouac e Ginsberg", acrescenta.

"Quando escrevi a música, me lembrei dessas impressões e de minhas cenas favoritas."

"Depois, Michel Houellebecq me disse que essas emoções eram muito fortes na música 'Spanish Coast', e que ele gosta em particular de 'A Machine For Loving', na qual junto música com suas palavras", explica um dos precurssores do punk com a banda The Stooges, cujo guitarrista, Ron Asheton, morreu em janeiro deste ano.

"Préliminaires" é um disco francófilo, e isso fica evidente além da influência de Michel Houellebecq. O disco começa e termina com uma versão em francês de "Les Feuilles Mort", clássico da canção francesa cuja letra é um poema de Jacques Prévert.

O álbum ainda foi ilustrado pela artista franco-iraniana Marjane Satrapi.

O cantor emprestou sua voz a um dos personagens de Satrapi na versão em inglês do desenho animado "Persépolis", filme baseado na autobiografia em quadrinhos homônima.

Iggy Pop voltará a trabalhar com Satrapi em outro filme, previsto para julho, desta vez, com atores de carne e osso.

sexta-feira, 22 de Maio de 2009

Nem Dostoiévski escapou da prisão russa

Por pouco o mundo ficou sem conhecer as melhores obras de um dos mestres da literatura universal. Aos 28 anos, o russo Fiodor Mikhailovitch Dostoiévski tinha escrito apenas seu primeiro livro, Pobre Gente, quando foi preso e condenado à morte na Rússia – o escritor não agradava as autoridades por causa de suas atividades consideradas subversivas e as idéias taxadas de contrárias à moral e à religião do tempo dos czares.

Em 1849, Dostoiévski já estava enfileirado em posição de fuzilamento quando sua pena foi suspensa. Na verdade, tudo não passou de uma forma de tortura psicológica aplicada pelo czar Nicolau I. Embora “perdoado”, ele não foi solto, e seguiu para a Sibéria. Lá, ficou quatro anos preso em Omsk, obrigado a fazer trabalhos forçados (como extrair minérios) numa fortaleza que, anos mais tarde, após a Revolução Russa, inspiraria os gulagui, campos de trabalho soviéticos. Ficou também mais cinco anos servindo como soldado em Semipalatinski.

De suas memórias, saíram Recordações da Casa dos Mortos e registros em Um Idiota. “Dostoiévski inaugurou assim o romance-documentário, que no século 20 foi seguido por Alexandre Soljenitsin, em Arquipélago Gulag, também autobiográfico”, afirma Homero de Freitas Andrade, professor da literatura russa da USP. “O mais importante é que, bem ou mal, ele pôde conhecer mais a fundo a mente humana, já que estava preso com assassinos e estupradores. Isso serviu como fonte para seus personagens e livros.

quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Prato que se come frio

O desejo de vingança é uma constante na história humana – e um dos grandes temas da literatura. Abaixo temos alguns vingadores célebres da literatura.

Em família

A tragédia grega pôs em cena vários mitos em que a vingança era exercida dentro da própria família, com assassinatos terríveis de filhos e mães

Exemplo

O caso mais extremo é o de Medeia, na peça de Eurípides: ela mata os próprios filhos para se vingar de Jasão, que a trocou por outra mulher


O injustiçado
Na sociedade mais dinâmica do século XIX, a ascensão social tornou-se fundamental nas tramas – e também a injustiça

Exemplo
Para Edmond Dantès, protagonista de O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas, ficar podre de rico é o pré-requisito para a vingança


O ofendido
O vingador busca reparação para o que julga ser uma grande ofensa – da qual o suposto ofensor às vezes nem tem consciência

Exemplo
Em O Barril de Amontilhado, de Edgar Allan Poe, o vingador empareda seu inimigo numa catacumba. O conto não diz que ofensa ele cometeu para receber esse castigo terrível

O ressentido
Geralmente pobre, o vingador tem raiva dos mais ricos, a quem atribui sua condição humilhante

Exemplo
O personagem central de O Cobrador, conto de Rubem Fonseca, é um pobre-diabo que encontra a realização matando os ricaços

O usurpado
As "peças de vingança" foram um gênero popular no teatro inglês entre os séculos XVI e XVII. O herói vingador é um cortesão injustiçado ou um nobre cujos direitos são usurpados

Exemplo
Hamlet, de Shakespeare, traz à cena um príncipe que vinga a morte do pai – mas essa trama quase se perde no meio de elucubrações filosóficas


terça-feira, 5 de Maio de 2009

Cem anos de solidão: Lugares e Personagens.


Cem anos de solidão é um livro tão rico em personagens, e como todos eles possuem nomes comuns, que em dado momento do livro o leitor não sabe mais quem é quem. Esse post visa orientar os leitores desse maravilhoso livro.

Primeira Geração

José Arcadio Buendía

Patriarca da família Buendía e fundador da cidade de Macondo, casou-se com sua prima Ursula Iguaran aos 19 anos . Homem empreendedor, de caráter forte , alimentado por sonhos extravagantes ,interessava-se por física , alquimia e mecânica . O cigano Melquíades o colocava a par das novidades que descobria ao longo das suas viagens pelo mundo. Após ter enlouquecido foi amarrado a uma árvore na qual permaneceu preso, mesmo após ter sido libertado das cordas que o amarravam.

Úrsula Iguarán

Matriarca da família Buendía-Iguarán , prima e esposa de José Arcadio Buendía . Úrsula é uma mulher que batalha por sua família sem medir esforços, possui um comportamento forte e busca o bem estar de todos; por isso sofre constantemente ao ser a "voz da razão de uma familia de loucos", como ela mesmo afirma. Parece ter em seu destino a luta pelos homens da família. É uma personagem muito forte no livro, onde em todas as fases está caracterizada pela sua presença e só para de sê-la quando a idade não permite mais. Vive entre 100 e 120 anos.

Segunda Geração

José Arcadio

Filho mais velho de José Arcádio Buendía e Úrsula, é batizado com o nome do pai. Mantém relações com Pilar Ternera, a quem abandona grávida. Foge com os ciganos em razão de paixão repentina por uma cigana e volta só muito tempo depois. Quando reaparece, é homem forte, com tatuagens, falando a língua de marinheiros e gabando-se por ter navegado os quatro cantos do mundo. Casa-se com sua irmã de criação, Rebeca. Morre com assassinado com um tiro que ninguém sabe como e por quem foi dado.

Aureliano

Segundo filho de José Arcádio Buendía e Úrsula - é batizado com o nome do Avó - Pai de José Arcádio. Se envolve com a política ao tentar impedir o Sr. Apolinar Mascote de pintar todas as casas de azul a mando do governo. Conhece Remedios Moscote e se apaixona. Casam-se apesar da grande diferença de idade. Mais tarde, torna-se Coronel Aureliano Buendía, ao participar da guerra ao lado dos liberais. Morre sozinho em casa, muitos anos depois, fazendo peixinhos de ouro.

Amaranta

Terceira filha de José Arcádio Buendía e Úrsula. Se apaixona por Pietro Crespi, assim como sua irmã de criação, Rebeca. Esta arruma seu casamento, enquando Amaranta tenta interrompê-lo. Rebeca desmancha o noivado e se casa com seu irmão de criação José Arcadio. Pietro Crespi se apaixona por Amaranta, que mesmo apaixonada, não o dá esperanças. Tem uma relação amorosa com Aureliano José, seu sobrinho (filho do Coronel Aureliano com Pilar Ternera). Ao fim, mantém uma amizade com o Coronel Gerineldo Márquez, mas o esnoba. Morre virgem e com uma atadura na mão que carrega por boa parte da vida, fruto de uma queimadura em penitência que ela faz consigo mesma após o suicídio de Pietro Crespi.

Terceira Geração

Arcadio

Filho de José Arcadio com Pilar Ternera. Morre tentando fazer um revolução liberal em Macondo. Tem três filhos com Santa Sofia de La Piedad: Remédios a Bela e os Gêmeos Aureliano Segundo e José Arcádio Segundo.

Aureliano José

Filho de Aureliano com Pilar Ternera, é morto com um tiro nas costas ao sair correndo de uma peça teatral, depois de desacatar um coronel em plena guerra.

17 Aurelianos

Durante suas 32 guerras civis , o coronel Aureliano Buendía tem 17 filhos com 17 mulheres diferentes, sendo que com cada uma passou apenas uma noite .Em certo momento , a casa dos Buendía é visitada por 17 mulheres diferentes solicitando a Úrsula batizar seus filhos, a qual os batiza com o nome de Aureliano.

Em uma noite, 16 deles são assinados. O último é assinado muitos anos depois, ao ter seu pedido de abrigo negado por Aureliano Babilonia.

Quarta Geração

Remédios, a Bela

A mulher mais bonita que existiu no mundo , mesmo podendo ter qualquer homem para si não se envolveu com nenhum dos que a seguiam e dos que morreram por ela. Chamada no livro de Remedios, a bela, é uma garota que cresceu sem malícias ou pensamentos complexos. Queria apenas viver, comer, dormir.Não entendia por que as pessoas complicavam a vida. Achava natural andar nua e ria na cara dos homens que a pediam em casamento. Certo dia, sobe aos céus.

José Arcadio Segundo

José Arcadio Segundo é irmão gêmeio de Aureliano Segundo, filho de Arcadio e Santa Sofía de la Piedad. Úrsula crê que ambos foram trocados na infância , pois José Arcádio possui as características do Aurelianos. Herdeiro do espírito anarquista do Coronel Aureliano Buendía, José Arcadio lidera uma greve geral do trabalhadores da companhia bananeira. Com a greve os trabalhadores são exterminados em uma estação de trem. No entanto, José Arcadio sobrevive. Os fantasmas desse dia o atormentam até o dia de sua repentina morte. Influencia Aureliano Babilônia, com a história do extermínio, a tentar desvendar os pergaminhos de Melquíades.

Aureliano Segundo

Era esbanjador e tocava acordeão nas festas que promovia. Era receptivo mesmo com os forasteiros. Apesar de casado com Fernanda del Carpio, entranhava-se em um amor intrínseco com a cuncubina Petra Cotes, até a sua também morte repentina no mesmo instante que o irmão gêmeo, José Arcadio Segundo. No funeral , os corpos são trocados e um é enterrado na tumba do outro.

Quinta Geração

Amaranta Úrsula

Estudará em Bruxelas, onde se casará com um homem de posses chamado Gastón. Anos depois, volta a Macondo e se apaixona por Aureliano Babilônia, sem saber que era seu sobrinho, e têm um filho, o último dos Buendía.

Renata Remedios (Meme)

Filha de Aureliano Segundo e Fernanda, estuda para agradar sua mãe que tem sonhos aristocráticos. Ao voltar para Macondo se relaciona com Mauricio Babilônia, um caso não aprovado por sua mãe, que gerará Aureliano. Fernanda a manda para um convento, sem saber que está grávida, onde morreu sem ter dito nem mais uma palavra.

José Acardio

Vai estudar para ser padre em Roma. Quando volta para ver sua mãe Fernanda , encontra-a morta na cama a sua espera. Permanece em Macondo e transforma a casa em um paraíso decadente. Dava festas na casa, com garotos mais novos que julgava ajudar. Em uma dessas festas se irrita e os expulsa da casa as chicotadas. Tempos mais tarde, os meninos o afogam na caixa-d'água.

Sexta Geração

Aureliano Babilonia

Filho bastardo de Renata Remedios e Mauricio Babilônia, é confinado a viver sem sair de casa, pois Fernanda não podia aceitar a existência de um filho bastardo em sua linhagem. É levado à casa por uma freira, vindo do convento onde Renata estava. Fernanda consegue convencer a todos que ele foi deixado à porta numa cesta. Muitos anos depois, Aureliano tem um caso com sua tia, Amaranta Úrsula. É ele quem traduzirá os pergaminhos de Melquíades e quem será o pai do último Buendía, "por que as estirpes condenadas a cem anos de solidão não teriam uma nova chance na terra".

Sétima Geração

Aureliano

Último da linhagem dos Buendía, filho de Amaranta Úrsula e Aureliano Babilônia. Nasce com o rabo de porco, pois eram da mesma família e cederam á tradição: que duas pessoas não poderiam establecer uma relação sexual, pois o filho nasceria com um rabo de porco. É levado pelas formigas ao fim do livro, concretizando as profecias de Melquíades.

Outros personagens

Melquíades

Melquíades é um dos ciganos que visita Macondo, trazendo inventos e mercadorias de diversos lugares do mundo. Morreu nas dunas de Cingapura.

Escreve os pergaminhos que preveem a história da família Buendía , os quais são traduzidos por Aureliano Babilônia .

Pilar Ternera

Pilar é uma mulher alegre e decidida que habita Macondo, transformando-se na concubina dos irmãos Aureliano e José Arcádio Buendía, sendo que com cada um tem um filho (Aureliano José e Arcádio). Pilar lê e prevê o futuro nas cartas e se torna a dona de um prostíbulo.

Rebeca

Filha adotiva de Úrsula e José Arcadio. Chega a Macondo procedente de uma cidade vizinha e traz consigo a peste da insônia. Come terra quando está desesperada. Torna-se namorada de Pietro Crespi, professor de boas maneiras , entretanto se entrega a paixão por José Arcádio, seu irmão de criação, do qual se torna esposa.

Pietro Crespi

É disputado por Rebeca e Amaranta . Inicia um namoro com Rebeca, porém esta o troca pelo irmão de criação, José Arcádio. Em seguida, Amaranta declara seu amor por Pietro, entretanto a mesma se recusa a casar como vingança por ter preferido Rebeca . Em razão da rejeição que sofre, Pietro suicida-se .

Maurício Babilônia

Mauricio é um aprendiz de mecânico da companhia Bananeira. Aparentemente é descendente dos ciganos e possui como peculariedade o fato de ser seguido constantemente por borboletas amarelas. Maurício namora Meme, porém Fernanda descobre o romance e trata de por um fim na relação. Maurício continua visitando a amada, mas um guarda solicitado por Fernanda o acerta com um tiro, confundindo - o com um ladrão de galinhas, sendo que em razão disso passa o resto de sua vida inválido. Meme, a qual estava grávida de Maurício, dá a luz a Aureliano Babilônia .

Fernanda del Carpio

Nasceu em uma cidade a muitos léguas de Macondo, filha de uma família nobre, mas empobrecida. Na infância e adolescência se dedicou aos estudos em um convento, onde foi preparada para ser rainha. Casa-se com Aureliano segundo, todavia este continua vivendo com a amante. A sua chegada na casa dos Buendía marca o princípio da decadência em Macondo. É muito perfeccionista e neurótica, sendo uma religiosa quase fanática. Ao descobrir o romance de sua filha Meme com Maurício, faz este ser baleado por uma autoridade, o que o torna inválido e para sempre temido como ladrão de galinhas. Em seus últimos dias, vive sozinha em casa com Aureliano Babilônia, seu neto a quem nunca assumiu. Morre quatro meses antes da chegada de Roma de seu filho José Arcádio.

sábado, 2 de Maio de 2009

O mal em todas as suas cores


Dostoievski é o escritor cristão mais admirado pelos ateus. O alemão Friedrich Nietzsche, que tinha o cristianismo na conta de uma filosofia moral para escravos, considerava o escritor russo o único psicólogo com o qual aprendera alguma coisa. Sigmund Freud também o admirava e dedicou um ensaio ao tema do parricídio na obra do escritor. Em seu conhecido ensaio O Existencialismo É um Humanismo, de 1946, o francês Jean-Paul Sartre fundamentava toda a sua filosofia em uma frase atribuída a Dostoievski: "Se Deus não existisse, tudo seria permitido". Que autores tão opostos às idéias de Dostoievski tenham admirado sua obra é um testemunho da grandeza de sua ficção. Uma nova tradução de seu último livro, Os Irmãos Karamázov (Editora 34; 1 040 páginas, em dois volumes; 98 reais), feita por Paulo Bezerra, está chegando às livrarias brasileiras. Lançado no fim de 1880 – pouco antes da morte do autor, em janeiro do ano seguinte –, o romance é uma ambiciosa palavra final sobre os temas que obcecavam o escritor desde suas primeiras obras, publicadas nos anos 1840: o bem, o mal e a trágica liberdade humana para escolher entre um e outro.

As traduções anteriores de Os Irmãos Karamázov costumavam vir de outras línguas, especialmente do francês (em 1944, o tradutor Boris Schnaiderman fez sua temerária estréia no ofício, ao verter a última obra de Dostoievski direto do russo – mas nunca quis reeditar a tradução, que considerou falha). A tradução de Paulo Bezerra baseia-se em uma edição crítica da obra de Dostoievski realizada por um time de filólogos russos nos anos 70 – buscava-se, então, corrigir os cortes realizados pelas censuras czarista e stalinista. É, de acordo com o posfácio do tradutor, "a única efetivamente integral em língua portuguesa". Bezerra também buscou respeitar o estilo "às vezes meio tosco" do original. Dostoievski não era propriamente um cultor do mot juste, a palavra exata (o que talvez explique o desprezo que Nabokov, o estilista de Lolita, nutria por Crime e Castigo e Os Irmãos Karamázov). Mas poucos o superam na criação de personagens que vivem no extremo da condição humana – humilhados, atormentados, torturados pela própria personalidade mesquinha.

Tal é o caso da família Karamázov. O pai, Fiódor, é um bêbado e um bufão que conseguiu acumular alguma fortuna graças sobretudo ao matrimônio com mulheres de melhor extração social. Teve três filhos: Dmitri (ou Mítia), do primeiro casamento, e Ivan e Alieksiêi (ou Aliócha), do segundo (e, ao que tudo indica, seria ainda o pai do criado Smerdiakóv, filho da idiota da vila). Negligente, abandonou-os todos. Violento e lascivo, Dmitri saiu ao pai – e disputa com ele os favores de Grúchenka, jovem mulher de má fama. Aliócha é um místico. Vive em um mosteiro ortodoxo, onde segue as orientações do caridoso monge Zossima. Ivan é o mais filosófico e especulativo, um livre-pensador que parece ironizar todos os sistemas religiosos ou filosóficos: flerta com o ateísmo, mas também discute teologia de igual para igual com os monges do mosteiro onde vive seu irmão mais novo, Aliócha. O narrador do romance confere a esse último a distinção de herói da história, mas Ivan é uma figura mais marcante. O capítulo mais conhecido e celebrado do romance, "O grande inquisidor", deve-se a ele. Trata-se de um poema de Ivan (ou, antes, do enredo de um poema que ele deseja escrever, já que não está em versos), no qual Jesus retorna à Terra em Sevilha, no século XVI, e acaba preso pela Inquisição espanhola.

Na famosa frase citada em O Existencialismo É um Humanismo, Sartre faz uma paráfrase meio malandra do pensamento de Ivan (e ainda o atribui ao próprio Dostoievski, que é algo como creditar a Machado de Assis as teorias sociais doidivanas de Quincas Borba). A frase não aparece daquela forma no livro. O que Ivan argumenta é que, se o homem perder sua fé na imortalidade, tudo será permitido, "até a antropofagia". Vários personagens glosam essas palavras ao longo do livro – inclusive o próprio Diabo, no meio de um delírio de Ivan –, o que faz desta uma espécie de idéia condutora da trama. Quando Fiódor, o patriarca dos Karamázov, é assassinado e Dmitri surge como o principal suspeito, essa questão moral abstrata ganha uma premência incontornável, que muito atormentará Ivan.

Dostoievski não era apenas um crente fervoroso (ainda que torturado): também foi um exaltado nacionalista russo, sempre desconfiado de qualquer inclinação "européia" (no pólo oposto da paisagem intelectual russa do período, encontrava-se o cosmopolita Turguêniev, autor de Pais e Filhos). "Ele é russo demais para mim", dizia o escritor polonês-britânico Joseph Conrad. A exaltação ideológica e mística dos personagens de Dostoievski talvez tenha mesmo qualquer coisa de tipicamente "russo". Mas sua obra é também incomodamente universal. A existência do mal, que tanto angustia Ivan, forma com o bem supremo representado por Deus uma equação insolúvel. E ainda mais trágico é que o ateísmo tampouco é uma resposta.

sexta-feira, 1 de Maio de 2009

O derradeiro livro de Alexandre Dumas é editado 180 anos após sua morte

No fim dos anos 80, o pesquisador francês Claude Schopp estava perambulando pelos Arquivos do Sena, em Paris, esperando pela entrega de algum documento. Ele não se lembra do que era. Só sabe que devia ser um papel velho revelando a identidade de um filho bastardo ou de uma amante de Alexandre Dumas (1802-1870), o célebre autor de Os três mosqueteiros. Entediado, abriu uma gaveta e deparou com uma ficha que dizia: “Alexandre Dumas (pai). As dívidas de Josefina”. Schopp é um dos maiores especialistas em Dumas e não conhecia o manuscrito ao qual a ficha se referia. Mas não se abalou. Afinal, seu objeto de estudo foi um dos mais prolíficos escritores do século XIX. Escrevia muito e de tudo – até livros de receita.

O pesquisador fez um pedido para ver o texto original. Era uma carta de Dumas ao jornal Pays defendendo suas afirmações sobre os gastos de Josefina, a primeira mulher de Napoleão Bonaparte. Mas que afirmações eram essas? Schopp foi atrás então do primeiro texto, que teria motivado essa carta. Para seu espanto, não descobriu um artigo de Dumas criticando o consumismo. Era um romance de folhetim. Mais precisamente, 118 capítulos de O cavaleiro de Sainte-Hermine, publicado em vários exemplares do jornal Moniteur Universel durante o ano de 1869, e nunca editado em livro.

A primeira mulher de Napoleão, Josefina, gastava compulsivamente.

Um texto de Dumas sobre suas dívidas levou um pesquisador a encontrar o romance perdido

O choque maior foi quando Schopp percebeu estar diante do último livro de Alexandre Dumas, escrito pouco antes de sua morte, e que fechava seu projeto de romancear toda a história da França desde São Luís (1214-1270). Para ficar nos romances mais conhecidos, os personagens de Os três mosqueteiros (1844) defendem o rei Luís XIII, no século XVII. Já o protagonista de O Conde de Monte Cristo (1844-1846) é um nobre acusado de bonapartismo durante a restauração monárquica, no século XIX. Na obra de Dumas, havia um buraco entre 1799 (ano abordado no romance Os companheiros de Jéu, 1857) e 1815 (quando começa O Conde de Monte Cristo). É um período crucial para a história francesa: o do Consulado, que estendeu os poderes de Bonaparte, e o do Império Napoleônico. O cavaleiro de Sainte-Hermine percorre justamente esse momento.

Claude Schopp não saiu alardeando a descoberta. Ficou enfurnado por 15 anos desenrolando microfilmes do Moniteur Universel, juntando pedaços do folhetim, checando as informações com que Dumas havia sido displicente. E elaborando um final. O escritor havia morrido antes de concluir a história, mas deixou um plano de como ia terminá-la. Schopp se deu a liberdade de imitar o estilo fluido de Dumas e arrematou o episódio incompleto.

Em 2005, O cavaleiro de Sainte-Hermine foi lançado na França, onde teve mais de 65 mil exemplares vendidos. Agora chega ao Brasil pela editora Martins (tradução de Dorothée de Bruchard, R$ 98). Suas 1.048 páginas podem assustar, mas a deliciosa prosa de Dumas é um convite a devorá-las. A aventura do herói, Hector de Sainte-Hermine, é repleta de batalhas, coincidências burlescas, paixões terríveis e bastidores do poder. O romance, como anunciava a carta encontrada por Schopp, começa no Palácio das Tulherias, com Josefina às voltas com faturas de chapéus e vestidos, implorando para Bourrienne, secretário de seu marido (por enquanto o primeiro cônsul da França), quitá-las.

Em O cavaleiro de Sainte-Hermine, Napoleão aparece tirano e glorioso

O herói aparece mais adiante. Hector de Sainte-Hermine é o último membro de uma família nobre dizimada pela Revolução Francesa. Filia-se ao grupo Companheiros de Jéu, contrário a Bonaparte, e jura fidelidade à linhagem real dos Bourbons. Diferentemente de Edmond Dantès, o Conde de Monte Cristo, Hector não é levado à vingança por ódio. Desmotivado, só busca a retaliação contra os revolucionários por obrigação da honra. Napoleão é pintado ricamente por Dumas com um misto de admiração e rancor. Não é à toa: seu pai, general do Exército Revolucionário, foi companheiro de Bonaparte quando este ainda era general. Quando se recusou a participar de uma missão, caiu em desgraça. Com a ascensão de Bonaparte, deixou de receber soldos e morreu pobre. Se O cavaleiro de Sainte-Hermine é sobre uma vingança a contragosto, é também um acerto de contas de Alexandre Dumas com Napoleão.