segunda-feira, 27 de julho de 2009

Literatura engajada

Grandes escritores sempre lutaram por justiça, igualdade e liberdade, certo? Nem todos. Alguns dos maiores nomes da literatura do século 20 abraçaram a causa errada e escolheram o lado escuro da força.


O francês Louis-Ferdinand Céline, um dos maiores mestres do romance contemporâneo, era nazista. O americano Ezra Pound, modernista que redefiniu o conceito de poesia, era fascista. Jorge Luis Borges, o primeiro latino-americano a influenciar europeus e americanos, apoiou ditaduras militares em seu país, a Argentina, e no Chile do general Pinochet. Jorge Amado, durante décadas o principal nome da literatura brasileira, louvou o sanguinário líder soviético Josef Stálin (e antes disso foi redator do jornal nazista Meio-Dia).

Estranho? Para a maioria das pessoas, escritores são caras com mentes privilegiadas e cadeira cativa na Liga da Justiça. Em seus livros defendem minorias, invocam os princípios democráticos e lutam – com unhas, dentes e estilo – pela liberdade de expressão. Mas no turbulento século 20, em que as idéias estavam em ebulição, muitos deles foram colocados à prova. Alguns passaram no teste com galhardia, seguindo o exemplo do francês Émile Zola, que tomou o partido do capitão Dreyfuss em meio a uma conspiração anti-semita na França no século 19. Gente como o dramaturgo irlandês Samuel Beckett, que conjurou contra a ocupação nazista em Paris durante a Segunda Guerra. Ou o filósofo Jean-Paul Sartre, que pregou o fim do colonialismo europeu na África, nos anos 60. Causas justíssimas das quais ninguém teria coragem (ou cara-de-pau) de subtrair uma vírgula.

Mas há outros cujas escolhas políticas e ideológicas parecem contradizer a noção do escritor como “campeão da justiça”. E abraçaram causas equivocadas e infames. Deram apoio a duvidosos líderes políticos. Justificaram regimes genocidas e ajudaram a sustentar estados autoritários. Foram, sob certo ponto de vista, escroques consumados.

Como artistas cuja sensibilidade e percepção da vida alcançaram níveis estratosféricos em suas obras conseguiram mergulhar tão baixo no lodaçal do racismo, da opressão, da injustiça e da legitimação do assassinato estatal? Por que eles ao menos não ficaram quietinhos em suas escrivaninhas, produzindo as obras-primas que o mundo esperava deles? Não há resposta. Até porque, pelo menos nas obras desses autores, não há evidências dessas escolhas temerárias.

Às vésperas da Segunda Guerra (1939-1945) e do plano nazista da “Solução Final” – que condenou à morte judeus, ciganos, homossexuais e deficientes físicos e mentais –, o francês Louis-Ferdinand Céline (1894-1961) exalava a pestilência do racismo em seus escritos. Autor de Viagem ao Fim da Noite, um dos romances mais influentes da história das letras, Céline publicou Bagatelas por um Massacre (1937) e Os Belos Trapos (1938), dois panfletos que estão entre os textos mais odiosos da história. Sem cerimônia, o escritor chama os judeus de “esterco” e “lixo a ser varrido do chão da história”. Em 1943, no auge do genocídio na Europa, Céline reeditou o primeiro texto acrescido de fotografias. Era sua declaração de apoio ao holocausto.

Médico de formação (e bom médico, que tratava com zelo a população pobre de sua vizinhança), Céline apoiou o trabalho sujo dos invasores nazistas e fez parte do grupo de franceses que aplaudiu Hitler e os campos de concentração. Preso na Dinamarca, após a guerra, só pôde voltar à França em 1951, onde morreria esquecido dez anos depois.

Ezra Pound (1885-1972) não conheceu um único dia de sossego em vida. Celebrado como um dos poetas mais importantes do modernismo em língua inglesa, fez parte da “geração perdida” – aquele grupo de artistas americanos que ajudou a sacudir a Europa depois da Primeira Guerra –, trocando figurinhas com Ernest Hemingway e com o irlandês James Joyce.

Ele estava em Roma quando subiu ao poder o ditador fascista Benito Mussolini e ficou fascinado pelos ideais de ordem e autoridade do fascismo. Pound colaborou, no início da Segunda Guerra, com revistas anti-semitas da Itália e do Japão. Fez mais. Entre janeiro de 1941 e julho de 1943, fez um bico como locutor radiofônico para o governo de Mussolini. Durante os sete minutos de transmissão (pelos quais recebia 17 dólares), Pound amaldiçoava os judeus e louvava Il Duce e o Führer. Dizia coisas pavorosas, alimentando o ódio racial e conclamando os italianos à destruição das raízes judaicas da Europa.

No pós-guerra, Pound comeria a pizza que o diabo amassou. No final de abril de 1945, foi preso em casa por dois soldados da resistência italiana e encaminhado para Gênova, onde seria interrogado pelas autoridades americanas, que o haviam indiciado por traição em 1943. Firme em suas convicções, comparou Hitler à mártir francesa Joana D’Arc. Após os interrogatórios, foi encaminhado ao campo de prisioneiros de Pisa. Encarcerado numa jaula de 3 metros quadrados, sob o sol e ao relento, Pound virou um fiapo de gente e teve que ser encaminhado para um sanatório, depois para um hospital nos Estados Unidos. Libertado no final dos anos 50, nunca mais faria grandes livros.

Com antepassados entre oficiais que ajudaram a tornar a Argentina independente, Jorge Luis Borges (1899-1986) acreditava ter motivos sólidos para apoiar os militares quando estes tomaram o poder em 1976. Além do amor livresco pelos relatos de grandes batalhas nos clássicos gregos, nas sagas escandinavas e até mesmo em Os Sertões, de Euclides da Cunha (de quem era fã), Borges odiava os líderes populistas como Juan Domingo Perón, que rebaixou o então funcionário da biblioteca pública Miguel Cané a mero fiscal de coelhos e galináceos do mercado municipal de Buenos Aires nos anos 40. Humilhação que calou fundo no coração do escritor.

Mas foi durante a década de 70 que Borges – já reconhecido mundialmente por livros como Ficções e O Aleph e saudado como um dos mestres do conto moderno – despertou o ódio da esquerda e provocou estupor em seus leitores quando, além de elogiar a quartelada em seu país, foi ao Chile receber, das mãos do sanguinário general Augusto Pinochet, um prêmio por sua contribuição à literatura. Perto de outros autores que flertaram com o Mal, porém, Borges é um amador. Grande parte de seus admiradores perdoou-lhe ainda em vida a adesão à caserna, por se tratar mais de reação à humilhação do passado que convicção política.

“Convicção” e “política”, aliás, eram palavras corriqueiras no vocabulário do baiano Jorge Amado (1912-2001). Comunista convicto e, mais que isso, stalinista, o criador de Dona Flor e seus Dois Maridos e de outros retratos apimentados da vida na Bahia tinha verdadeiro fascínio pela figura do ditador soviético Josef Stálin (1879-1953) – um tirano feroz que condenou à morte milhões de pessoas e aprisionou, torturou e fez desaparecer centenas de escritores e artistas de seu país. Num de seus livros, Jorge Amado chamou Stálin de “sábio dirigente dos povos do mundo na luta pela felicidade do homem sobre a Terra”. Uau!

Tem como piorar? Em 1940, quando Stálin surpreendeu meio mundo ao firmar com Hitler um pacto de não-agressão, deixando assim a Polônia nas mãos dos nazistas, o Partido Comunista Brasileiro designou Jorge Amado para a direção do jornal nazista Meio-Dia. Em pleno país tropical, com toda nossa mistura de raças, nosso dengo e nosso ziriguidum, o pai de Gabriela, Cravo e Canela tocava um jornal que estampava louvações ao líder nazista e propagandeava a vida sob os coturnos do III Reich. A seu favor, Jorge Amado abandonaria a militância no PCB em 1955, depois da morte de Stálin e quando começaram a transpirar as muitas evidências da sanha homicida e dos desmandos truculentos do líder da antiga União Soviética. Pulou do barco a tempo.

Tão paradoxal quanto Jorge Amado, o cronista e dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980) era mesmo um oceano de contradições. Criador do teatro brasileiro moderno a partir de Vestido de Noiva (1943) e com várias peças censuradas por causa de seus personagens imersos numa espiral de desejo, culpa e vingança, Nelson pessoalmente era careta, moralista e conservador. Até aí, nada de mais: o artista não precisa ser uma cópia de sua obra. Mas a porca torceu o rabo a partir de 1964, quando ele começou a ridicularizar a esquerda e a louvar os presidentes militares (principalmente Médici, que gostava e entendia de futebol, assunto maioral na obra de Nelson) em crônicas que até hoje encantam pelo estilo fulgurante e pelo ponto de vista sempre original.

Nelson viveu um doce namoro com a turma verde-oliva de Brasília até 1979, quando descobriu que seu filho (também chamado Nelson), preso como milhares de outros jovens brasileiros, tinha sido torturado na prisão. Abalado com a evidência tão próxima e brutal de algo que sempre negara em suas crônicas, Nelson pai catou milho e datilografou, em junho de 1979, uma carta ao presidente João Baptista Figueiredo, o último general no Alvorada. Emocionada e franca, a carta (publicada no Jornal do Brasil) é um apelo à anistia, que viria no fim daquele mesmo ano e que ajudaria a começar a ruir as fundações do regime autoritário no Brasil. Nelson morreria um ano e meio depois, com sua obra teatral louvada por leitores de todas as colorações políticas.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

1933: A grande queima de livros pelos nazistas

"Onde se queimam livros, acaba-se queimando pessoas."

Heinrich Heine

O dia 10 de maio de 1933 marcou o auge da perseguição dos nazistas aos intelectuais, principalmente aos escritores. Em toda a Alemanha, principalmente nas cidades universitárias, montanhas de livros ou suas cinzas se acumulavam nas praças. Hitler e seus comparsas pretendiam uma "limpeza" da literatura.

Tudo o que fosse crítico ou desviasse dos padrões impostos pelo regime nazista foi destruído. Centenas de milhares de livros foram queimados no auge de uma campanha iniciada pelo diretório nacional de estudantes.

Albert Einstein, Stefan Zweig, Heinrich e Thomas Mann, Sigmund Freud, Erich Kästner, Erich Maria Remarque e Ricarda Huch foram algumas das proeminências literárias alemãs perseguidas na época.

O poeta nazista Hanns Johst foi um dos que justificou a queima, logo depois da ascensão do nazismo ao poder, com a "necessidade de purificação radical da literatura alemã de elementos estranhos que possam alienar a cultura alemã".

Assim como desde a pré-história se acreditava nos poderes purificadores do fogo, o regime do mestre da propaganda – Joseph Goebbels – pretendia destruir todos os fundamentos intelectuais da por ele tão odiada República de Weimar.

Foram queimados cerca de 20.000 livros, a maioria dos quais pertencentes às bibliotecas públicas, de autores oficialmente tidos como "pouco alemães" (undeutsch).

Oportunismo e distanciamento

A opinião pública e a intelectualidade alemãs ofereceram pouca resistência à queima. Editoras e distribuidoras reagiram com oportunismo, enquanto a burguesia tomou distância, passando a responsabilidade aos universitários. Também o exterior acompanhou a destruição distanciado, chegando a minimizar a queima como resultado do "fanatismo estudantil".

Entre os poucos escritores que reconheceram o perigo e tomaram uma posição estava Thomas Mann, que havia recebido o Nobel de Literatura em 1929. Em 1933, ele emigrou para a Suíça e, em 1939, para os Estados Unidos. Quando a Faculdade de Filosofia da Universidade de Bonn lhe cassou o título de doutor honoris causa, ele escreveu ao reitor: "Nestes quatro anos de exílio involuntário, nunca parei de meditar sobre minha situação. Se tivesse ficado ou retornado à Alemanha, talvez já estivesse morto. Jamais sonhei que no fim da minha vida seria um emigrante, despojado da nacionalidade, vivendo desta maneira!"

Também Ricarda Huch retirou-se da Academia Prussiana de Artes. Na carta ao seu presidente, em 9 de abril de 1933, a escritora criticou os ditames culturais do regime nazista: "A centralização, a opressão, os métodos brutais, a difamação dos que pensam diferente, os auto-elogios, tudo isso não combina com meu modo de pensar", justificou.

Já o escritor Oskar Maria Graf não foi incluido na lista. Para seu espanto, os seus livros não foram banidos como até foram recomendados pelos Nazis. Em resposta, ele publicou um artigo intitulado "Verbrennt mich! (queimem-me) no jornal "Wiener Arbeiterzeitung" (jornal do trabalhador vienense). Em 1934 o seu desejo foi tornado realidade e os seus livros foram também banidos pelos Nazis.

Em 1934, a "lista negra" incluía mais de três mil obras proibidas pelos nazistas. Como disse o poeta Heinrich Heine:

"Onde se queimam livros, acaba-se queimando pessoas."

quarta-feira, 22 de julho de 2009

A discreta sensualidade de Machado de Assis


Criador de uma rica galeria feminina, Machado de Assis não costumava tratar do sexo em termos francos – mas tinha lá seus fetiches, como se vê na galeria abaixo:

Olhos

"Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. (...) Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca."
Esses são os olhos de Capitu, de Dom Casmurro — exemplo mais célebre da mulher de olhar dúbio. Também Sofia, em Quincas Borba, tinha os "olhos mais belos do mundo"

Busto
"O corpinho apertado desenhava naturalmente os contornos delicados e graciosos do busto. Via-se ondular ligeiramente o seio túrgido, comprimido pelo cetim."
Lívia, em Ressurreição. O busto, o colo dos seios são o que de mais francamente "sexual" a mulher podia expor então

Cintura e cadeiras
"Ela, em verdade, estava nos seus melhores dias; o vestido sublinhava admiravelmente a gentileza do busto, o estreito da cintura e o relevo delicado das cadeiras."
Sofia, de Quincas Borba. A cintura fina era o padrão de beleza na época – daí os espartilhos e coletes de barbatanas

Mãos
"As mãos, a despeito de alguns ofícios rudes, eram curadas com amor, não cheiravam a sabões finos nem águas de toucador, mas com água do poço e sabão comum trazia-as sem mácula."
Capitu, em Dom Casmurro. A pele imaculada aqui é um indicador social: ainda que pobre, Capitu cuida para que as mãos não revelem seus "ofícios rudes"

Braços
"Não estando abotoadas, as mangas, caíram naturalmente, e eu vi-lhe metade dos braços, muito claros, e menos magros do que se poderiam supor. (...) As veias eram tão azuis, que, apesar da pouca claridade, podia contá-las do meu lugar."
Conceição, do conto Missa do Galo. Os braços nus são um fetiche de Machado – não por acaso, autor de outro conto intitulado Uns Braços

Pés
"Lucinda sabia que tinha um pé formoso, esguio, leve, como devem ser os pés dos anjos, um pé alado, quando ela valsava e deixava entrevê-lo todo no meio dos giros em que se deixava ir."
Do conto D. Mônica. A ponta das botinas era só o que se entrevia do corpo feminino escondido pelos longos vestidos

domingo, 19 de julho de 2009

[Grandes Autores] Cervantes: o cavaleiro errante


Miguel de Cervantes teve uma vida ainda mais errática que a de seu personagem mais ilustre. O criador do engenhoso fidalgo Dom Quixote de la Mancha nasceu em Alcalá de Henares, em 1547, em uma família pobre. Ainda cedo, demonstrou interesse pela literatura e pela poesia. Teria uma vida acadêmica, não fosse um duelo no qual o escritor matou um desocupado. Procurado pela Justiça, que, como punição, deveria lhe decepar a mão direita, Cervantes fugiu para Roma, em 1569. Depois de falsificar uma certidão de nobreza, foi trabalhar como camareiro de um cardeal. Em 1570, alistou-se na armada espanhola que ia combater os turcos. Levou 3 tiros de arcabuz durante a Batalha de Lepanto, na qual sobraram apenas 12 dos 242 navios cristãos (e que ainda assim foram considerados vencedores). Dois disparos atingiram o peito e o terceiro deixou a mão esquerda de Cervantes imobilizada para sempre.

Na volta para casa, sua galera se perdeu da frota de navios durante uma tempestade, foi atacada por piratas e o escritor foi feito prisioneiro em Argel. O lugar era, na época, o paraíso dos piratas, e os prisioneiros que não tinham família ou meios de pagar pela liberdade viravam escravos. Enquanto sua humilde família tentava conseguir o dinheiro, Cervantes permaneceu cativo por mais de 5 anos.

Ao retornar à Espanha, 12 anos depois de ter partido, "o maneta de Lepanto", falido, dedicou-se a produzir comédias. "O ano que é abundante em poesia costuma ser de fome", escreveu. Em 1584, teve uma filha bastarda com uma mulher casada. No final desse mesmo ano, casou com outra mulher, Catalina de Salazar, de quem se separou 3 anos depois. Tornou-se comissário de abastecimento e, em seguida, arrecadador de impostos. Em certa ocasião, confiou num amigo para guardar parte do dinheiro da Coroa e o bom homem fugiu com tudo. Em 1597, Cervantes voltou para o cárcere, acusado de desvio de dinheiro. Muitos acreditam que foi nos 3 meses em que esteve na prisão que ele começou a escrever Dom Quixote. Publicado em 1605, o livro foi um sucesso. Ainda assim, seu autor permanecia na miséria e, para ganhar mais uns trocos, publicou em 1615 a segunda parte de Dom Quixote. Miguel de Cervantes Saavedra morreu em abril de 1616.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

A correspondência mais curta da história

Victor Hugo foi um escritor prolífico e metódico. Sua obra, ampla e variada, inclui teatro, poesia, novela, discursos políticos e abundante correspondência. Sobre esta última faceta, precisamente, existe um episódio que ilustra bem o personagem e que se trata da correspondência mais breve da história.

Victor Hugo acabara de escrever sua, seguramente, mais relevante obra: Os Miseráveis. Seu esforço para escrevê-la foi proporcional à qualidade do resultado obtido, seguramente Hugo ficou exausto. Por isso, tão logo terminou enviou o manuscrito para seu editor e tirou umas férias.

Não está claro se foi no momento de remeter o manuscrito, querendo saber a opinião de seu editor sobre o material que lhe enviara, ou se foi para se mostrar interessado pela confecção da edição; o fato é que trocou com seu editor uma interessante, curte e expressiva correspondência. Ambas cartas continham um único símbolo:

A carta de Hugo:
"?" (um sinal de interrogação)

A resposta de seu editor:
"!" (um sinal de exclamação).

Para um bom entendedor, um ponto basta.

domingo, 12 de julho de 2009

[Grandes Autores] Thoreau: o homem mais desobediente da história


Nunca teve profissão; nunca se casou, viveu só, nunca foi à igreja, nunca votou, se negou a pagar impostos para o Estado, não comia carne, não bebia vinho, nunca fumou, era um naturalista, não utilizou nenhuma arma. Escolheu sabiamente e sem dúvida ser pensador e amante da natureza. Ele não tinha talento para a riqueza, e sabia como ser pobre sem cair na miséria ou no ordinário.

Um inconformado, o exemplo de tudo o que qualquer homem livre possa desejar ser em nossos dias. Um cara bastante exótico que sem dúvida se tornou referência para o que hoje são movimentos intelectuais e pensamentos revolucionários em uma sociedade que perdeu a qualidade de vida estritamente livre.

Henry David Thoreau, um estadunidense nascido em Concord, Massachusetts em 12 de julho de 1817, em uma família de classe média que contava com duas irmãs e um irmão, sua mãe Cynthia e seu pai John Thoreau, um fabricante de lápis. Viveu a maior parte de sua vida em Concord e desde sempre, teve uma inclinação muito forte pela vida natural, os animais e as plantas.

Thoreau se formou em Ciências e Matemática na Universidade de Harvard em Cambridge com 20 anos, mas resolveu regressar a trabalhar à fábrica de lápis do pai, também dedicou parte de seu tempo a dar aulas gratuitas, e escrever artigos para uma ou outra publicação.

Dada sua paixão pela vida natural, decidiu ir viver em um bosque em Walden Pond, próximo à casa dos pais, em 4 de julho de 1845, à idade de 28 anos, onde começou a escrever sobre sua experiência na vida no bosque que foi publicada anos depois em sua obra chamada "Walden".

Durante sua estadia na cabana do lago Walden, Thoreau teve uma das experiências mais transcendentais em sua vida como pensador e apegado a seus princípios e crenças se negou a pagar impostos ao estado, já que se negava a participar direta ou indiretamente na guerra contra México e a escravatura, razão pela qual foi preso e levado até os tribunais. Foi deste fato que nasceu a sua obra mais conhecida, seu famoso tratado da "Desobediência Civil", onde expõe sua indignação pela perda de valores do povo estadunidenses com respeito aos direitos mais básicos como a justiça e a liberdade e faz uma crítica ao materialismo e a falsa idéia do sucesso.

- "Sob um governo que prende alguém injustamente, a prisão é o único local a também ser ocupado pelo justo. Hoje, o lugar adequado, a única coisa oferecida pelo estado a seus espíritos mais livres e menos submissos, são suas prisões; prendem, separam do Estado por ação deste, do mesmo modo que eles tinham feito já por seus princípios. Aí é onde o escravo negro fugitivo e o prisioneiro mexicano em liberdade condicional e o índio que vem a interceder pelos danos infligidos a sua raça deveriam se encontrar; nesse lugar separado, mas mais livre e honrado, onde o Estado situa aos que não estão com ele senão contra ele: esta é a única casa, em um Estado com escravos, onde o homem livre pode permanecer com honra".

Thoreau tinha um pensamento sobre as necessidades do homem, do modo mais básico, e de como estas podiam ser substituídas pelo mesmo homem em um ambiente de sobriedade, apegado a princípios naturais e respeitando o meio ambiente, ao mesmo tempo, seu amor pela liberdade levou-o a ser um ícone da resistência ao sistema, propondo alternativas ao ser humano que buscam melhorar a qualidade de vida sem recorrer ao consumismo e ao materialismo. Todas suas ações foram coerentes com sua maneira de pensar, ainda quando estas mesmas lhe privassem do elemento mais básico do ser humano, sua liberdade.

Henry Thorau faleceu no ano de 1862, com 45 anos devido a uma tuberculose, seus restos agora descansam no Sleepy Hollow Cemetery em Concord, Massachusetts.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

[Clássicos da Literatura] Nicolau Maquiavel e Sun Tzu: Duas artes. Muitas guerras

Separados por 2 mil anos. Unidos pelo mesmo tema. O político italiano Nicolau Maquiavel e o general chinês Sun Tzu (ou Sunzi se você prefere usar o sistema pinyin de romanização da escrita chinesa, que troca os símbolos por letras do alfabeto latino).

Maquiavel ficou mais famoso por outra de suas obras, O Príncipe, que fez com que seu nome inspirasse termos como “maquiavelismo”, que tanto pode significar um modo amoral de se fazer política (“os fins justificam os meios”) como, mais popularmente, um sujeito desprovido de boa fé.

Sunzi parece ter tido destino melhor: no século 21 virou guru de empresários e executivos modernosos. E o conjunto de meros 6 mil caracteres organizados em 13 capítulos conhecidos desde a dinastia Zhou, no século 6 a.C., com o nome de Sunzi Bingfa (em tradução literal, “Método militar de Sunzi”, que ganhou recentemente uma versão nova no Brasil pela Conrad com o nome A Arte da Guerra), virou um manual prático para ter sucesso nos negócios, vencer concorrências, tratar de subordinados, derrubar seu chefe, trocar de carro, cortar o cabelo... tudo!

Sunzi nasceu por volta de 540 a.C. em uma família de mandarins do estado Qi. Por volta de 517 a.C., abandonou os parentes, por causa de disputas internas entre os clãs, e rumou para o sul, fixando-se no estado Wu, governado por He Lu, jovem príncipe que havia usurpado o trono três anos antes. Sunzi apresentou ao rei seus 13 preceitos sobre a arte da guerra (que começam assim: “A guerra é um importante assunto de Estado, território da morte e da vida, caminho da sobrevivência e da extinção, não pode deixar de ser investigada”).

Deve ter sido a experiência e a disciplina militares vivenciadas na juventude em Qi que fizeram com que He Lu lhe entregasse o comando militar do reino. Cargo que continuou ocupando mais tarde, nas campanhas militares do sucessor de He Lu, o príncipe Fu Chai. O estado guerreiro que construiu, no entanto, durou apenas 40 anos, quando as tropas Wu foram derrotadas, em 476 a.C., pelas hordas do estado Yue.

Longe dali...

A obra literária de Maquiavel revela que sua preocupação com a arte militar ultrapassa sua experiência prática. Desde muito cedo, antes de se tornar um pensador político, o Exército e suas relações com a política já eram objetos de inquirição. Em um texto de 1504, ele alerta para a necessidade de os italianos estabelecerem uma milícia própria a fim de evitar invasões estrangeiras: “O caminho será fácil e curto se vocês reabrirem o templo de Marte”. A evocação ao deus romano da guerra não era poesia. Para Maquiavel, o passado glorioso de Roma era uma inspiração. Mas seu discurso não visava uma volta ao passado. Pelo contrário. Se Roma era o modelo, a “sua” Florença e a Itália fragmentada eram as metas a atingir e transformar.

Textos como esses ecoavam na cabeça dos figurões de Florença nos primeiros anos do século 16. A poderosa cidade lutava para reconquistar Pisa mas, segundo o costume da época, não contava com um exército próprio. Funcionava assim: desde o século 13, na Itália a defesa das cidades e as campanhas militares ficavam sob os cuidados de um condottiero (ou condottiere), isto é, um comandante de tropas que, mediante pagamento, colocava-se a serviço de um Estado – a condotta era o contrato militar para o levantamento de tropas. No entanto, o modelo vinha de fracassos estrondosos. Em 1499, soldados que tentavam retomar Pisa para os florentinos se rebelaram contra o condottiero e se bandearam para o lado inimigo. Desonra que deixou os governantes florentinos propensos a aceitar uma idéia meio maluca que já circulava há algum tempo pela cabeça do segundo-secretário (adivinha quem? O próprio).

Em janeiro de 1506, o Conselho de Florença deu carta branca para Maquiavel alistar soldados pelo vale do Mugello e do Casentino, e, em 15 de fevereiro, dia de Carnaval, ele e sua turma chegaram a Piazza dei Signori, onde foram recebidos em festa. A primeira missão dada ao exército maquiavélico foi retomar Pisa, o que, de fato, aconteceu em 1509. Dezessete anos depois, a defesa de Florença ficou nas mãos de Maquiavel durante a Liga Cognac, no combate a Carlos V, de Milão. Após o tratado de paz, ele escreveu A Arte da Guerra.

Manual chinês

"Há rotas que não se deve trilhar, há exércitos contra os quais não se deve combater, há cidadelas que não se deve atacar, há territórios que não se devem disputar, há ordens imperiais que não se devem catar!"

A Arte da Guerra de Sunzi

Experiência italiana

"Tais desordens não nasceram de outra coisa senão do fato de ter havido homens que usavam o exercício do soldo como sua arte pessoal. A guerra faz ladrões, a paz os enforca.

A Arte da Guerra de Maquiavel, sobre os excessos cometidos por soldados e seus comandantes durante uma guerra

sexta-feira, 3 de julho de 2009

[Grandes Autores] Rimbaud: o gênio precoce


Deitado numa barca ao pé do velho moinho da cidadezinha francesa de Charleville, o rosto contra a água, o adolescente Arthur Rimbaud parece querer escutar o que o rio está dizendo. O rio pode não ter dito nada, mas o estudante de 17 anos logo se faria ouvir. E para sempre. Inspirado pelo tema do Navio Fantasma (a lenda do holandês que erra pelos mares e encontra redenção no amor, um assunto reincidente na poesia desde o Romantismo) e por uma série de obsessões particulares – o mar, a evasão, a eternidade –, Rimbaud estava matutando o poema O Barco Ébrio, um delírio fantástico e musical que anteciparia a literatura do século 20 e que seria um dos textos mais analisados, comentados e destrinchados da história das letras. O jovem Rimbaud diante do rio, pensando no poema, é uma cena comparável àquela de Isaac Newton recebendo uma maçã na cachola e se inspirando nisso para criar a Lei da Gravidade. Um desses momentos que inauguram o futuro.

O cidadão francês Jean Nicolas-Arthur Rimbaud nasceu em 20 de outubro de 1854 e morreu 37 anos mais tarde, em 10 de novembro de 1891. O poeta Arthur Rimbaud nasceu lá por volta dos 15 anos e “morreu” aos 19. A partir daí seria Rimbaud, o aventureiro, o traficante, o mártir. Foram várias vidas em uma. Ou melhor: uma vida vivida sob múltiplas formas.

É mesmo um enigma: como é que alguém escreve O Barco Ébrio e outros poemas fundamentais (além das prosas de Uma Temporada no Inferno e As Iluminações), dá uma banana à literatura e desaparece quase sem deixar rastro? Quando morreu, mutilado e agonizante de dor num hospital de Marselha, Rimbaud quase já não era mais lembrado pelos seus contemporâneos. Sua obra teve que esperar algumas décadas para reingressar na corrente sanguínea da literatura francesa e a partir daí aparecer para o mundo. Mas o que houve entre o abandono da poesia e a morte aos 37 anos?

Assim que completou O Barco Ébrio, Rimbaud despachou o poema para Paris. O destinatário era o poeta de 27 anos e recém-casado Paul Verlaine (1844-1896), que começava a aparecer no cenário com seus versos musicais. Entusiasmado, Verlaine convocou Rimbaud para a Cidade-Luz, na época a capital literária do mundo, com seus cafés, uma infinidade de revistas e um clima cultural que atraía exilados de todas as nacionalidades, idiomas e tendências políticas e sexuais.

O encontro dos dois autores foi muito mais que poético: Rimbaud e Verlaine formaram um dos casais mais famosos da história da literatura, e talvez o mais barraquento deles. O romance costumava terminar na delegacia, depois de muito choro, sopapo e alguma trégua. Pelo seu jovem amor, Verlaine comeu o brioche que o diabo amassou: destruiu seu casamento, viveu na sarjeta sem um tostão furado e foi preso por uma suposta tentativa de homicídio numa viagem da dupla a Bruxelas – episódios que inspiraram o filme, bem furreca, por sinal, Eclipse de uma Paixão, com Leonardo di Caprio no papel do jovem poeta que leva um tiro no punho.

Episódios quase banais perto do que viria a ser em seguida a vida de Rimbaud. Pouco depois dos incidentes com Verlaine, o jovem de 19 anos pega a mochila e parte pela Europa. Desbrava Inglaterra, Áustria, Alemanha, Itália, Suécia. Uma série de viagens continentais, quase sempre a pé, quase sempre terminando em Charleville, sob as asas da mãe. No caminho, arranja empregos como intérprete de circo, tutor, capataz. Vira Rimbaud, o andarilho.

À volta da mesa, por Henri Fantin-Latour, 1872, Rimbaud é o segundo à esquerda, tendo ao seu lado direito Paul Verlaine

A grande mudança aconteceria em 1880. Trabalhando numa firma francesa estabelecida no Chipre, Rimbaud (que a essa altura não escrevia mais uma mísera linha de verso ou prosa) parte para o Egito, na época um dos grandes entrepostos coloniais. Empregado em outra empresa francesa, é designado para abrir uma filial em Harar, na Abissínia (atual Etiópia), sob o sol escaldante da África. A viagem a cavalo pelo deserto da Somália leva 20 dias. Harar era então uma cidade meio misteriosa, dominada pelo código severo do Islã, um pedaço do mundo em que poucos homens brancos haviam se aventurado, onde o termômetro marca 30 graus centígrados no “inverno”.

Mas Rimbaud resolve diversificar sua atividade comercial. Viaja pelo deserto para comprar marfim e peles, negociando com as tribos nômades e com os donos do pedaço, sultões fascinados pelas armas de fogo. Também começa a se interessar por explorações (foi um dos primeiros europeus a atravessar a estrada de Antotto a Harar), encomenda uma máquina fotográfica e escreve artigos para revistas de geografia. Uma imagem famosa desse período é seu retrato com o rosto calcinado pelo sol ardente, a barba cerrada, o olhar severo. Parecia um “pobre bugre armênio”, como definiu um amigo que o visitou na África.

Mudando-se para Aden (no Iêmen), Rimbaud consegue fazer muito mais negócios. E se embrenha na vida local: uma de suas companhias mais freqüentes era uma mulher da tribo islâmica argoba. Aprende o árabe e um punhado de dialetos. Fascina-se por alguns aspectos da religião islâmica. O selo com que lacrava suas cartas levava uma fórmula do Corão com o nome Abdalah, “servidor de Deus”. Seu senso de justiça era admirado pelos nativos. Chamavam-lhe “a balança exata”.

Cansado de ser empregado, interessa-se pelo tráfico de armas. Parecia-lhe simples: mandava trazer de Liège (Bélgica) fuzis reformados que custavam apenas 8 francos. Revendia-os por 40. Lucro fácil. Mas as coisas não saíram como o esperado, e o comerciante francês teve que desbravar o deserto em busca de compradores, negociando armas, peles e escravos com gente esperta e às vezes amargando prejuízos em meio às instabilidades políticas da região e às pilhagens. Sem falar nos empregados, que desertavam no meio do caminho, deixando-o no meio do nada.

Por essa época começa a sentir dores insuportáveis no joelho direito, que incha dia após dia, afinando a perna e impedindo-o de se locomover (a ironia cruel disso tudo é que Rimbaud escrevera muitos anos o seguinte verso: “E não precisar das pernas / Que maravilha!”). São os primeiros sintomas do carcinoma, um tipo maligno de câncer. Resolve procurar atendimento médico na França. Manda fabricar uma padiola, contrata 16 homens e se põe a caminho de Aden para ali pegar um vapor até seu país. Uma via-crúcis, dolorosa e angustiante. Os homens derrubam-no várias vezes, a dor só aumenta e a viagem leva mais de dez dias.

Aos 37 anos, Rimbaud estava liquidado. Seu corpo apodrecia, exalava uma pestilência tenebrosa, as dores o conduziam ao limiar da loucura. Quando chegou a Marselha, em 23 de maio de 1891, os médicos logo amputaram sua perna. Mas o mal se alastrava. O comerciante Arthur Rimbaud morreu então em 10 de novembro. Apenas a mãe e a irmã acompanharam o enterro. Ninguém mais conhecia o poeta Arthur Rimbaud. E aqueles que o conheceram morreriam sem saber das razões que o levaram a abandonar a literatura. A pista pode estar numa declaração do poeta a sua irmã Isabelle: “Teria ficado doido – e, além disso, era porcaria”. Julgamento frio, objetivo e desapaixonado. Indigno de um escritor. Próprio de um comerciante.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Sequência de "O Apanhador no Campo de Centeio" é vetada nos EUA

Uma juíza federal de Nova York proibiu nesta quarta-feira (1º), indefinidamente, a publicação nos Estados Unidos de um romance cujo autor divulga como sendo a sequência de "O Apanhador no Campo de Centeio", uma obra escrita pelo famoso escritor Jerome D.Salinger.
A juíza Deborah Batts impediu a publicação, distribuição e divulgação nos Estados Unidos de "60 Years Later: Coming Through the Rye", escrito pelo sueco Fredrik Colting sob o pseudônimo de J. D. California, informou nesta segunda o jornal "The New York Times", em sua edição digital.
Batts já tinha ordenado o bloqueio temporário da publicação da obra no dia 17 de junho, depois que Salinger apresentou, 15 dias antes, um processo contra o autor, a editora e a distribuidora do romance, por considerar que o livro infringe os direitos autorais sobre a obra e também sobre seu protagonista.
Por enquanto, a ordem judicial dá razão a Salinger e afirma que há semelhanças suficientes entre os personagens principais das duas obras para impedir a publicação do livro de Colting, que afirmou que sua sequência era "uma paródia crítica que tinha o efeito de transformar a obra original".
Em seu livro, Colting apresenta um personagem denominado Mr.C --relacionado facilmente com Holden Caulfield, protagonista de "O Apanhador no Campo de Centeio"--percorrendo as ruas de Nova York, depois de escapar de um asilo, em uma trama ambientada 60 anos depois da época retratada na obra original.
Salinger, que não publica nenhum trabalho há quatro décadas e nunca escreveu uma sequência da obra, coloca o personagem de sua obra como um adolescente rebelde e narrava suas experiências pela cidade.
"60 Years Later: Coming Through the Rye" já foi publicado no Reino Unido, pela editoria sueca "Nicotext".

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Filme Baseado em obra de Machado de Assis estreia nessa semana

Baseado em dois contos de Machado de Assis (1839-1908), o filme "A Erva do Rato" estreou neste fim de semana. A produção, que tem como protagonistas os atores Selton Mello e Alessandra Negrini, foi exibida no Festival de Veneza de 2008 e tem sua direção assinada por Júlio Bressane e a fotografia por Walter Carvalho.
Os contos do escritor que servem de base literária para a produção são "Um Esqueleto' e "A Causa Secreta". Mas, em entrevista coletiva, Bressane explicou que "não é uma adaptação de Machado de Assis, e sim uma tradução em imagens de seu espírito".