sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

J.D. Salinger é retratado como egoísta e cruel por sua filha, em biografia

Um egoísta sem sensibilidade, um machista que fez suas mulheres sofrerem e as abandonou, um tipo capaz de converter sua família em uma seita, um iluminado predestinado a fazer de sua vida uma grande obra. Estas revelações de Margaret A. Salinger, filha mais velha de J.D. Salinger, compõem a biografia "Dream Catcher" (2001) --sem edição em português--. As informações foram divulgadas pelo jornal espanhol "El País".

O volume é permeado por dois sentimentos: a admiração e o rancor da autora. Margaret descreve seu pai como um homem que acreditava que levar seus filhos por duas semanas de férias para a Inglaterra era o maior sacrifício que poderia fazer. Para a autora, Salinger era como os demais, uma pessoa cruel e miserável.
Margaret define Salinger como um egoísta absoluto e admite a profundidade dos abismos do escritor, presentes em sua obra. Porém, destaca que o que a incomodava é a intensa necessidade de uma pessoa estar andando pela borda do precipício. No entanto, em certa parte do livro, Margaret também declara que seu pai passou a vida escrevendo coisas belas.
Em outra passagem, a autora declara que, para Salinger, ter alguma falha era motivo de repulsa, e ter um defeito, uma espécie de traição. "Não me estranha que seu mundo está tão vazio de pessoas reais nem que seus personagens de ficção se suicidam tanto". Na biografia, Margaret mostra-se como uma mulher que sofreu horrores --frequentes ataques de pânico e cinco abortos.

1 comentário:

  1. Acho que os gênios abrem mão de muitas coisas na vida, em nome da arte. Não sei até que ponto é crueldade ou genialidade.
    Prefiro não julgar.

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