sábado, 2 de janeiro de 2010

O diário de Anne Frank


Na manhã do dia 12 de junho de 1942, ao completar 13 anos, Anneliese Marie Frank desceu as escadas de sua casa e desembrulhou os presentes. Entre eles, havia um diário. Nele, ela deixaria os escritos de seu cotidiano em Amsterdã, na Holanda, para onde se mudou com a família. Os Frank, judeus, haviam deixado a Alemanha natal em 1933, após a ascensão de Adolf Hitler. Em seus relatos, Anne contou como a vida da família mudou radicalmente com uma carta do partido nazista convocando Margot, sua irmã mais velha, de 16 anos, para trabalhar. Em 7 de julho de 1942, a família se viu obrigada a se mudar para um esconderijo, o “anexo secreto”, no escritório dos holandeses Bep Voskuijl e Miep Gies, casal de amigos de Otto Frank, pai de Anne.

O anexo ficava atrás de uma prateleira móvel do escritório e serviria de cenário para a maioria dos relatos da jovem. Foi graças aos amigos que os Frank tiveram comida, roupa e notícias da guerra durante os dois anos de confinamento. Além de Anne e dos parentes dela, moravam no esconderijo outra família e um senhor – um total de oito judeus.

O último escrito de Anne data de 1º de agosto de 1944, três dias antes de a Gestapo, a polícia secreta de Hitler, invadir o esconderijo e enviar todos a campos de concentração. Anne foi levada com a família a Auschwitz, na Polônia, e depois, com Margot, ao campo de Bergen-Belsen, na Alemanha, onde morreu de tifo em março de 1945.

Quando foi ao anexo recém-saqueado, Miep Gies guardou o diário, as fotos da família e outros escritos de Anne, espalhados pelo chão, para entregá-los à família depois da guerra. Em 1945, Otto retornou a Amsterdã e constatou ser o único sobrevivente. Ao ler o diário, ficou surpreso com a profundidade dele e decidiu editá-lo e prepará-lo para publicação, que aconteceu em 25 de junho de 1947. Até hoje, foram vendidas mais de 25 milhões de cópias em mais de 50 línguas.

Anne escreveu e reescreveu as páginas do que viria a ser o famoso livro, o que aumentou o volume de folhas soltas. O primeiro diário, no entanto, de capa xadrez vermelha e branca, é o mais conhecido. Ele e todo o material de Anne estão arquivados no Instituto Holandês de Documentação da Guerra, em Amsterdã, desde 1980, quando Otto Frank morreu. Outras páginas originais estão emprestadas à Casa de Anne Frank, museu situado no prédio do esconderijo, onde também há réplicas do diário.


Como era a vida no esconderijo que Anne Frank usou durante a 2ª Guerra Mundial?


Chamado de "anexo secreto", o refúgio da alemã Anne Frank ficava nos fundos do prédio da empresa do pai da garota, em Amsterdã, na Holanda. Foi lá que sua família e outras quatro pessoas, todos judeus, viveram clandestinamente, numa tentativa de se esconder dos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. E foi de lá também que Anne registrou, em seu diário, o angustiante dia-a-dia das pessoas que viviam no local. As narrativas do diário terminam três dias antes de o lugar ser descoberto. Em 4 de agosto de 1944, os moradores do esconderijo foram levados para o campo de concentração de Auschwitz, na Polônia. Anne - então com 15 anos - e sua irmã Margot morreram de tifo no campo de Bergen-Belsen, na Alemanha, em 1945. Apenas o pai, Otto Frank, sobreviveu - foi ele o responsável pela publicação do diário da filha, que vendeu mais de 30 milhões de exemplares no mundo até hoje, fazendo de Anne um ícone do genocídio sofrido pelos judeus.

Cotidiano silencioso

Armário discreto
"Ninguém jamais suspeitaria da existência de tantos cômodos por trás daquela porta cinza e lisa", escreve Anne em 9 de julho de 1942. Logo após a família Frank se mudar para o anexo, uma estante de livros foi erguida na frente da porta, tornando o esconderijo um local quase invisível

O anexo secreto

"O esconderijo ficava no prédio do escritório do papai", registra Anne em 9 de julho de 1942, o dia em que a família Frank se mudou para lá. O edifício tinha dois andares, com escritórios, moinho e depósito de grãos. Na parte de trás estava o "anexo secreto"

Distúrbios no sono

"A hora de dormir começa sempre com enorme agitação. Cadeiras são arrastadas, camas puxadas, cobertores desdobrados...", Anne escreve em 4 de agosto de 1943. À noite, a sala comum virava o quarto da outra família que morava lá, os Van Pels, e de Fritz Pfeffer, amigo dos Frank

Fast food

Meia hora era o tempo máximo para o almoço - era quando os funcionários do armazém estavam fora e rolava de fazer um pouquinho de barulho. O cardápio, em geral, era baseado em batatas, enlatados e sopas, que os amigos da família compravam no mercado negro e deixavam, na surdina, no refúgio

Banho semanal

Só rolava de tomar banho aos domingos, de manhã. Como não havia chuveiro por lá, o banho era de canequinha, dentro de uma tina com água aquecida. Cada um usava um local diferente. Anne, por exemplo, o tomava no "espaço toalete do escritório"

Querido diário


Anne fazia seu dever de casa logo após o almoço. Seus estudos se dividiam entre línguas, história, taquigrafia ou qualquer outro curso que se pudesse comprar por correspondência. Isso rolava em seu quarto ou na sala comum. Era nesse horário também que Anne escrevia seu diário

2 comentários:

  1. Como eu sobrevivi todo esse tempo sem o seu blog?
    rs
    Muito bom! Parabéns e obrigada por se mostrar!

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  2. Olá, Paulo, como vai? So, curiosamente eu nunca li a Frank, exatamente porque estou ocupada com os russos e com os alemães (faço letras-alemão, logo tenho que me ocupar deles,rs).Não lembro do nome Marmieládov ser uma brincadeira, se puder refrescar minha memória eu agradeço, até porque li o Crime e Castigo quando tinha apenas 15 anos, hoje estou com 20.

    Beijoca, beijoca.

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