sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

[Especial Filosofia] Sofista X Socráticos: a batalha silenciosa que decidiu o destino do ocidente


Há milhares de anos atrás, aconteceu na Grécia uma discussão filosófica que mudou o destino da humanidade nos dois milênios seguintes. Saiba mais sobre os embates entre os Sofistas e os Socráticos.

Os Sofistas podem ser considerados os primeiros professores da história. Eles eram filósofos, que viajavam de cidade em cidade, oferecendo seus serviços na arte da retórica. A retórica é a técnica (ou a arte, como preferem alguns) de convencer o interlocutor através da oratória. Tal técnica era fundamental na Grécia antiga, onde os cidadãos (leia-se homens ricos) eram extremamente politizados e a política se desenvolvia através de grandes debates públicos. Ocorre que os Sofistas cobravam por esses serviços e, assim, tal filosofia só era de conhecimento das camadas mais abastadas da sociedade grega. Por isso, eles sofreram diversas críticas dos filósofos socráticos, que normalmente ofereciam seus conhecimentos de uma forma gratuita.

A filosofia sofista era bem simples. Para eles, não existia uma verdade universal, a justiça era sempre relativa, não existindo justo ou injusto, certo ou errado. Não havia, para eles, uma moral universal. Somente a maioria das pessoas de um determinado local era que poderiam dizer se uma coisa era justa, sendo assim,o conceito de justiça era temporário e relativo, modificando-se de acordo com a época e local. Tudo dependia do contexto histórico e cultural do local. Desse modo, a moral, o certo ou errado, poderia ser modificado por quem controlasse a maioria das pessoas. Por isso, os sofistas davam tanta importância ao poder de argumentar.

Já os Socráticos eram os filósofos discípulos de Sócrates (ou Platão, visto que não há como saber quem é quem. Sócrates, se houver mesmo existido, não deixou nenhuma obra escrita). Ao contrário dos Sofistas, eles não cobravam por seus ensinamentos.

Sócrates defendia que existia uma verdade única e universal, que nunca variava. A virtude seria sempre virtude, não importava o local ou a cultura. A filosofia socrática, portanto, retirava o poder dos homens e o repassava a uma "entidade" superior e eterna.

Durante muitos anos, uma silenciosa batalha filosófica ocorreu na Grécia antiga. A batalha acabou com a vitória dos socráticos e suas consequências foram sentidas nos dois milênios seguintes. Os sofistas foram considerados os vilões da filosofia, só sendo reabilitados no século XX, após a 2º grande guerra. Já as ideias socráticas foram sendo desenvolvidas ao longos dos séculos seguintes e acabaram por influenciar boa parte do pensamento cristão ocidental. Ao ponto de muitos considerarem a filosofia platônica o embrião do cristianismo.

6 comentários:

  1. GOSTEI, TIREI UMA BOA PARTE DE DÚVIDAS.
    DAYANA VIANA

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  2. texto objetivo e claro! ajudou muito :D

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  3. Excelente texto, muito esclarecedor! PARABÉNS!

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