quarta-feira, 19 de Janeiro de 2011

[Curiosidades Literárias] Escritores que viram o sol nascer quadrado

Primo Levi


Durante a 2ª Guerra Mundial, o escritor italiano Primo Levi fez parte do movimento de resistência italiano contra o governo fascista. Sem o menor treinamento militar, ele e seus companheiros foram feitos prisioneiros pela milícia fascista. Assim que os milicianos descobriram que ele era judeu, enviaram-no para um campo de prisioneiros em Fossoli, perto de Modena.

Em 11 de fevereiro de 1944, os prisioneiros do campo foram transportados para Auschwitz. Levi ficou onze meses no chamado campo da morte, até ser libertado pelo Exército Vermelho. Dos 650 judeus italianos mandados para Auschwitz com Levi, apenas vinte sobreviveram.

Levi sobreviveu por causa de uma conjunção de fatores. Ele sabia um pouco de alemão, por causa das publicações sobre química que lia; bem como percebeu rapidamente que precisava a todo custo passar despercebido, sem chamar a atenção nem dos guardas nem dos prisioneiros.
 
Alexander Soljenítsin


O Prêmio Nobel de 1961 foi preso por agentes da NKVD por fazer alusões críticas a Stalin em correspondência a um amigo. Foi condenado a oito anos em um campo de trabalhos forçados, a serem seguidos por exílio interno em perpetuidade.

A primeira parte da pena de Soljenítsin foi cumprida em vários campos de trabalhos forçados; a "fase intermediária", como ele viria a referir-se a esta época, passou-a em uma sharashka, um instituto de pesquisas onde os cientistas e outros colaboradores eram prisioneiros. Dessas experiências surgiria o livro "O Primeiro Círculo", publicado no exterior em 1968. Em 1950 foi enviado a um "campo especial" para prisioneiros políticos em Ekibastuz, Cazaquistão onde trabalharia como pedreiro, mineiro e metalúrgico. Esta época inspiraria o livro "Um Dia na Vida de Ivan Denisovich". Enquanto neste campo retiraram-lhe um tumor, mas seu câncer não chegou a ser diagnosticado.

A partir de março de 1953, iniciou a pena de exílio perpétuo em Kol-Terek no sul do Cazaquistão. O seu câncer, ainda não detectado, continou a espalhar-se, e ao fim do ano Soljenítsin encontrava-se próximo à morte. Porém, em 1954 finalmente recebeu tratamento adequado em Tashkent, Uzbequistão, e curou-se.

Bocage



Manuel Maria Barbosa du Bocage, ou simplesmente Bocage, foi um poeta português conhecido por sua vida boêmia, irreverência e por seus versos satíricos, algumas vezes eróticos, que desnudavam a sociedade portuguesa de sua época. Como satírico, expôs as mazelas de seu tempo em uma linguagem quase sempre pesada. Os seus alvos prediletos eram eram a nobreza e o clero portugueses, mas também não poupou seus colegas de Academia. Sua produção satírica, entretanto, foi marcada pela temática sexual. Tanta ousadia, como era de se esperar, não agradou os poderosos e em 1797 o escritor foi preso sob a acusação de heresia, dissolução dos costumes e ideias republicanas. Durante a sua prisão, Bocage passou por diversos presídios portugueses. Após ser solto em 1799 o poeta, pobre e traumatizado pelo período de reclusão, mudou radicalmente o seu estilo de vida, abandonada a vida de boêmia e impondo aos seus contemporâneos uma nova imagem: a de homem arrependido e digno. Morreu pobre, traumatizado e esquecido em 1805, vítima de um aneurisma aos 40 anos de idade.

Graciliano Ramos


Em 1936 o escritor brasileiro Graciliano Ramos passou uma temporada vendo o sol nascer quadrado por causa de sua militância comunista. No ano de 1936, após o fracasso da chamada Intentona Comunista, houve uma espécie de "caça as bruxas" no Brasil e qualquer pessoa que se suspeitava ser comunista acabou presa. Graciliano Ramos foi uma das vítimas desse movimento e por conta do seu envolvimento, exagerado por parte das autoridades, com a militância comunista acabou preso, sem que nenhuma acusação formal fosse feita. O escritor passou cerca de 11 meses preso e somente foi liberado devido a pressão política exercida por outros escritores como José Lins do Rego, Jorge Amado e Raquel de Queiroz. Suas experiências na prisão serviram de base para a publicação, póstuma, do livro Memórias do Cárcere, em 1954.

Oscar Wilde


Homossexual assumido (o que era proibido por lei na Inglaterra), o escritor irlandês Oscar Wilde já possuía grande fama no meio literário quando conheceu o jovem Lord Alfred Douglas (16 anos mais novo e conhecido como Bosie) e apesar de Wilde ser casado e possuir 02 filhos, ambos passaram a se envolver numa relação amorosa.

O pai de Lord Alfred, Marquês de Queensberry, ciente do envolvimento do filho com o escritor, enviou uma carta a Oscar, ofendendo-o e recriminando a relação entre eles. Na carta, o Marquês cita ironicamente: "A Oscar Wilde, conhecido sodomita". Oscar, por sua vez, incentivado por Lord Alfred, decide processar judicialmente, por difamação, o Marquês. Após o processo iniciado, o escritor percebe o poder econômico e a influência política do Marquês. Por isso, tenta retroceder e retirar o processo. Mas, devido ao número e consistência das provas apresentadas, um novo processo é iniciado; desta vez contra o próprio autor.

No segundo julgamento do caso (o júri do primeiro não tinha conseguido chegar a um veredito) Wilde foi julgado culpado, tendo sido condenado a pena máxima: 02 anos de trabalhos forçados. O dramaturgo, então, foi transferido para penitenciária de Wandsworth, onde passou alguns meses, até finalmente ser transferido para a penitenciária de Reading, onde ficaria até o fim da sentença.

Jack London


O escritor norte-americano Jack London foi acima de tudo um aventureiro. Filho de uma família pobre, cujo pai saiu de casa quando soube que a esposa estava grávida, teve uma infância terrivelmente difícil. Abandonou a escola aos 14 anos para trabalhar numa fábrica de enlatados, depois foi jornaleiro, varredor, balconista e com 17 anos viveu uma experiência traumática como empregado numa tecelagem de juta. A terrível época na fábrica de juta – dez horas por dia a dez cents a hora durante oito meses – seria retratado no conto The Apostate (O Herege), de 1906 e que foi usado na luta para a abolição do trabalho infantil nos Estados Unidos. Depois de outro emprego mal remunerado, agora em uma usina elétrica, o escritor se cansou de ser explorado e decidiu pegar a estrada. Com uns "vagabundos", London aprendeu a saltar nos trens de carga e neles cruzou os Estados Unidos. Em 1894, durante uma de suas viagens, quando visitava as Cataratas do Niágara, ele foi preso por vagabundagem e enviado para a Penitenciária de Erie County, em Buffalo, Nova Iorque. Antes de ser solto, passou um mês entre assassinos, facínoras e escroques.

Dostoievski

Por pouco o mundo ficou sem conhecer as melhores obras de um dos mestres da literatura universal. Aos 28 anos, o russo Fiodor Mikhailovitch Dostoiévski tinha escrito apenas seu primeiro livro, Gente Pobre, quando foi preso e condenado à morte na Rússia – o escritor não agradava as autoridades por causa de suas atividades consideradas subversivas e as idéias taxadas de contrárias à moral e à religião do tempo dos czares.
Em 1849, Dostoiévski já estava enfileirado em posição de fuzilamento quando sua pena foi suspensa. Na verdade, tudo não passou de uma forma de tortura psicológica aplicada pelo czar Nicolau I. Embora “perdoado”, ele não foi solto, e seguiu para a Sibéria. Lá, ficou quatro anos preso em Omsk, obrigado a fazer trabalhos forçados (como extrair minérios) numa fortaleza que, anos mais tarde, após a Revolução Russa, inspiraria os gulagui, campos de trabalho soviéticos. Ficou também mais cinco anos servindo como soldado em Semipalatinski. Dessas experiências nasceu o romance Recordações da Casa dos Mortos.

quarta-feira, 12 de Janeiro de 2011

terça-feira, 11 de Janeiro de 2011

[Curiosidades Literárias] Filho de peixe, peixinho é

Já dizia o ditado popular: filho de peixe, peixinho é. Na história da literatura mundial existem diversos exemplos de filhos de autores famosos que seguiram o exemplo dos pais e se deram muito bem.


No Brasil, talvez o exemplo mais conhecido seja o dos Verissimos: Érico e Luis Fernando. O primeiro é considerado por muitos o maior escritor gaúcho de todos os tempos, autor de clássicos da literatura brasileira e mundial como a saga O tempo e o Vento, épico sobre a história do Rio Grande do Sul, e Olhai os Lírios do Campo. O segundo, por sua vez, é mais conhecido por suas crônicas e textos de humor, publicados diariamente em vários jornais brasileiros. Com mais de 60 títulos publicados, é um dos mais populares escritores brasileiros contemporâneos.


Ainda em terras Tupiniquins, existe outro exemplo igualmente famoso, estamos falando agora dos Buarque de Holanda: Sérgio e Chico. O primeiro foi um dos maiores historiadores brasileiros, autor do clássico Raízes do Brasil. O segundo, bem mais conhecido do grande público, além de ser considerado um dos maiores compositores e cantores brasileiros, possui uma sólida carreira literária, tendo escrito vários romances que foram sucessos de público e crítica, como Budapeste e Leite Derramado.


No mundo, talvez o exemplo mais famoso seja o dos Dumas: Alexandre, Pai e Alexande, Filho. Alexandre Dumas, pai, foi um dos maiores romancistas da história da língua francesa, autor de diversos clássicos como O Conde de Monte Cristo e Os romances de D'Artagnan. Apesar do sucesso e das suas ligações aristocráticas, sua vida sempre foi marcada por ser mulato. Alexandre Dumas, filho, por sua vez, seguiu os passos do pai famoso e igualmente se tornou um escritor de sucesso, sendo o autor do famoso livro A Dama das Camélia.

segunda-feira, 10 de Janeiro de 2011

Livros de Paulo Coelho são proibidos no Irã, diz escritor


O escritor Paulo Coelho, autor brasileiro mais vendido no mundo, denunciou nesta segunda-feira que seus livros foram proibidos no Irã e disse que espera a ajuda do governo brasileiro para solucionar a questão.
Coelho publicou em seu blog (www.paulocoelhoblog.com) um email enviado por seu editor no Irã para informá-lo sobre a decisão do Ministério da Cultura e Orientação Islâmica do Irã de banir todos os livros do autor.
"Eu, sinceramente, espero que o governo brasileiro se pronuncie a respeito", escreveu Coelho no blog.
Segundo o autor, seus livros são publicados no Irã desde 1998 e mais de seis milhões de cópias já foram vendidas no país. Coelho afirma que o incidente "só pode ser um mal-entendido".
Ele cita, no entanto, o episódio de 2009 em que uma mulher morreu durante manifestações populares contra o resultado das eleições. O editor de Coelho no Irã, Arash Hejazi, foi gravado tentando salvar a mulher, num caso que ganhou enorme repercussão internacional.
Paulo Coelho é o autor brasileiro de maior sucesso internacional, com pelo menos 300 milhões de livros vendidos em mais de 150 países.
Coelho informou que vai disponibilizar todos os seus livros de forma gratuita na Internet no idioma persa, falado no Irã.
O brasileiro foi o primeiro escritor não muçulmano a visitar o Irã após a Revolução Islâmica de 1979, de acordo com o site da Academia Brasileira de Letras, em que ele ocupa a cadeira 21.
Vi aqui

sábado, 8 de Janeiro de 2011

[Curiosidades Literárias] Jorge Luis Borges, o prodígio


Jorge Luis Borges é considerado por muitos o segundo maior escritor de língua espanhola, perdendo apenas para o escritor Miguel de Cervantes, autor do grande clássico Dom Quixote. De família abastada, fluente em várias línguas, Borges desde cedo demonstrou aptidão para a literatura. Conta-se que escreveu o seu primeiro conto, La visera fatal, aos oito anos de idade, inspirado justamente em um episódio de Dom Quixote, de Miguel de Cervantes.

[Curiosidades Literárias] Mario Vargas Llosa e a presidência


O ganhador do prêmio Nobel de 2010, Mario Vargas Llosa, é um grande ativista político. O escritor peruano, ao contrário da grande maioria dos escritores latino-americanos, não possui inclinação política para o socialismo ou para a esquerda, fato que o fez ser "discriminado" por seus pares. Seu ativismo político é tão forte que em 1990 chegou a concorrer a presidência do Peru, com a Frente Demócrata (FREDEMO), partido de centro-direita, mas perdeu a eleição para Alberto Fujimore, que em 2007 foi condenado a 25 anos de prisão pela justiça peruana, por violações aos direitos humanos.

Tribunal rejeita ação de plágio contra autora de Harry Potter


Uma juíza dos Estados Unidos rejeitou na quinta-feira um processo movido contra a autora de "Harry Potter", J.K. Rowling, em que era acusada de copiar o trabalho de outro autor ao escrever o livro "Harry Potter e o Cálice de Fogo".

O responsável pela propriedade do falecido autor Adrian Jacobs havia dito que o enredo do livro, o quarto de uma série de sete publicações de grande sucesso que se tornou uma franquia multibilionária de cinema, copiou partes da história de seu livro "Willy the Wizard", incluindo a competição de magos, e a ideia de magos viajando nos trens.

A Scholastic Corp, editora dos livros de Harry Potter nos EUA, acolheu positivamente a decisão da juíza Shira Scheindlin, citando sua frase: "...os contrastes entre o conceito total e a impressão dos trabalhos é tão extrema que qualquer comparação séria entre os dois seria uma ingenuidade."
"A rápida rejeição do tribunal sustenta nossa posição de que o caso não tinha mérito algum e que comparar Willy o Mago à série Harry Potter é absurda", disse a empresa em comunicado.
Em outubro, o juiz responsável por um caso semelhante de plágio no Tribunal Superior de Londres disse que as alegações feitas por Paul Allen, responsável pela propriedade de Jacobs, eram "improváveis". No entanto, o juiz recusou um pedido dos advogados de Rowling e de sua editora britânica por um julgamento imediato rejeitando o caso.
Segundo o representante de Jacobs, o autor de "The Adventures of Willy the Wizard -- No 1 Livid Land" (1987), teria buscado os serviços do agente Christopher Little, que depois se tornaria o agente de Rowling. Segundo o representante, Jacobs morreu "sem um centavo" em um asilo em Londres, em 1997.
Bloomsbury, a editora britânica dos livros de Harry Potter, disse que Rowling nunca tinha ouvido falar do livro de Jacobs antes da alegação sobre direitos autorais em 2004, quase sete anos depois da publicação do primeiro livro da série Harry Potter.

quinta-feira, 6 de Janeiro de 2011

[Referência Literária do Dia] Novelas da Globo


Desconsiderando as adaptações de livros, as novelas da Globo são recheadas de referências literárias explícitas e implícitas. Vou citar somente algumas, pois existem dezenas delas espalhadas pelas novelas do canal.


Laços de Família, das novelas que eu me lembro, foi a que teve mais referências. A começar pelo nome, que é o mesmo do livro/conto mais importante da escritora Clarisse Lispctor. Além disso, o personagem de Tony Ramos na novela era proprietário de uma livraria chamada Dom Casmurro, o mesmo nome de um dos principais livros de Machado de Assis. Continuando, a atriz Giovanna Antonneli interpretava uma prostituta conhecida por Capitu, personagem principal do romance Dom Casmurro.


Na novela Senhora do Destino, logo no início da novela, os filhos da personagem Maria do Carmo possuíam uma cachorra chamada Baleia, o mesmo nome da personagem Baleia, a singela cachorra do livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos.



Na novela Começar de Novo, o personagem principal, interpretado pelo ator Marcos Paulo, chamava-se Miguel Arcanjo Karamazov, mesmo sobrenome dos personagens do principal livro do escritor russo Fiódor Dostoievksi, Os Irmãos Karamazov.


Finalmente, na novela Pedra Sobre Pedra, o personagem de Fábio Jr, chamado de Jorge Tadeu, é encontrado morto rodeado de borboletas pelo corpo, da mesma forma que o personagem Maurício Babilônia, do clássico Cem anos de solidão, de Gabriel Garcia Marquez. Ainda em Pedra sobre Pedra, a personagem Dona Quirina, uma mulher que, apesar de possuir 120 anos, ainda conserva uma excelente memória é bem semelhante a personagem Úrsula Iguarán, igualmente do livro Cem anos de Solidão.

Editora retira termos racistas de romance americano

A reedição de um famoso livro do escritor Mark Twain, As Aventuras de Huckleberry Finn, está gerando polêmica e uma discussão sobre censura nos Estados Unidos. O romance, publicado em 1884, ganhará neste ano uma versão em que todas as citações do termo “nigger”, considerado ofensivo aos negros no idioma inglês, serão substituídos pela palavra “slave” (escravo).
Segundo o jornal britânico The Guardian, “nigger” aparece mais de 200 vezes na obra, que narra as aventuras de um menino ao logo do rio Mississippi em meados do século 19. O termo “injun”, usado para se referir aos índios de maneira pejorativa, também será substituído.
A editora NewSouth Books, responsável pela publicação, afirmou que o objetivo é facilitar a inclusão da obra seja mais aceita nas escolas. Muitas dessas instituições retiraram o livro de seu currículo por causa dos termos racistas.
Ainda segundo a NewSouth, a mudança foi sugeria por um dos maiores estudiosos de Twain, o professor Alan Gribben, da Universidade de Auburn, nos Estados Unidos.
- Nós podemos aplaudir a habilidade de Twain como um importante escritor realista americano ao registrar a maneira de falar de uma região particular em um período histórico específico. Mas insultos raciais abusivos, que permitem diferentes conotações de permanente inferioridade, causam repulsa nos leitores dos dias de hoje.
Ainda de acordo com o Guardian, Twain foi “um crítico apaixonado do racismo americano e doou dinheiro a diversas organizações civis”. E seu livro, que agora tem o termo censurado, também combatia o preconceito racial.
A nova edição de As Aventuras de Huckleberry Finn, é alvo de uma série de críticas em sites, blogs e no meio literário americano. Mas a controvérsia em torno de sua linguagem não é nova. O livro ocupa a quinta posição em uma lista de obras mais banidas ou contestadas nos Estados Unidos na década de 1990. Segundo o Guardian, caiu para a 14ª posição na década passada.
Vi aqui

quarta-feira, 5 de Janeiro de 2011

Os 10 maiores escritores russos de todos os tempos

Na humilde opinião do autor deste Blog, a Literatura Russa é, sem dúvidas, a melhor espécie de literatura já produzida por um povo. Quem já teve a oportunidade de ler algo que veio desse maravilhoso país de bêbados e fanáticos religiosos, sabe que a Rússia em muito se assemelha ao Brasil. É um país continental, sem um povo ou identidade cultural bem definidos, com um povo alegre e sofrido, e principalmente, é um país extremamente corrupto. Sim, meus amigos, o velho “jeitinho brasileiro” poderia muito bem se chamar “jeitinho russo”, pois as mesmas artimanhas para burlar a lei que são usadas em nosso Brasil sil sil, também são constantemente utilizada na Rússia para burlar a lei. Enfim, excluindo-se os nomes, que são bem complicados, não há muitas dificuldades em ler algo que veio da Rússia (quando traduzidos, é claro). Substituindo-se os nomes, a maioria dos livros de autores russos poderiam se passar facilmente no Brasil sem que ninguém notasse que eles não foram escritos por brasileiros. No mais, não há nada melhor que um russo barbudo para deixar as coisas mais interessantes. Assim, fiz uma pequena lista dos 10 melhores autores russos de todos os tempos.
10. Alexandre Pushkin
Alexandre Pushkin é considerado o fundador da moderna Literatura Russa e, ainda, é considerado por muitos o maior poeta russo. Grande amigo de Gogol, seu estilo literário se assemelha um pouco ao romantismo. Sua promissora carreira literária foi abreviada aos 37 anos, ao ser morto bancando o garotão em duelo, contra o suposto amante de sua esposa (comenta-se que tal duelo teria sido arranjado pelo tsarismo, uma vez que o poeta estaria incomodando a alta sociedade russa).
09. Alexander Soljenítsin

O ganhador do prêmio Nobel de Literatura em 1970, teve uma vida bastante sofrida. Preso pelo regime comunista por fazer críticas ao ditador Stalin, Soljenítsin foi condenado a 08 anos de trabalhos forçados nos temidos campos de concentração soviéticos, os chamados Gulags (saiba mais sobre eles aqui). Por meio de suas obras, conscientizou o mundo sobre a crueldade dos Gulags Soviéticos.

08. Máximo Gorki
Escritor de escola naturalista considerado o elo de transição entre a geração de Tolstoi e Tchekhov com a nova geração de escritores soviéticos, como Babel. Militante marxista, teve uma infância e juventude miseráveis, tendo inclusive tentado o suicídio (com um tiro, que atingiu um de seus pulmões). Mais tarde, usou suas experiências pessoais para escrever diversos de seus livros. Suspeita-se que tenha morrido envenenado a mando de Stalin (Stalin era uma pessoa maravilhosa, vocês não acham?). Alguns historiadores acreditam que o ditador soviético morria de inveja do fato de o bigode de Gorki, muito maior e sedoso, ser mais bonito que o seu (Brincadeira...).

07. Vladimir Maiakovski
Considerado por muitos o maior poeta da era soviética, Maiakovski desde muito cedo se envolveu com os movimentos pré-revolucionários. Após o triunfo da revolução, apresentou-se como o escritor do futuro – do apogeu da máquina, da eletricidade e do urbanismo –, e se viu emaranhado na burocracia e nos equívocos que sucederam na União Soviética, após a Revolução de 1917. Como a tempestade, o poeta foi excessivo e intenso na vida e na obra, mas decidiu interrompê-las em pouco tempo: suicidou-se com um tiro aos 37 anos incompletos. 

06. Isaac Babel

Babel foi um escritor soviético de origem judaica nascido na Ucrânia. Teve uma vida bastante difícil, pois nasceu e cresceu em uma época em que os judeus eram perseguidos por toda a Europa, inclusive pelo então Império Russo. Aos 26 anos ingressou no Exército Vermelho durante as guerras com Ucrânia. Foi essa experiência traumática que o inspirou a escrever mais tarde a sua obra-prima - “O Exército de Cavalaria” -, livro em que narrar por meio de pequenos contos os horrores da guerra. Era discípulo e protegido de Gorki, que muitas vezes o salvou da fúria de Stalin. Com a morte de Gorki e, apesar de ter sido um idealista defensor do marxismo e leninismo, foi preso, torturado e executado durante o Grande Expurgo de Stálin (É só eu, ou mais alguém acha que Stálin foi um ser humano maravilhoso...).

5. Ivan Turguêniev

Escritor nascido em família rica (Milagre!) viveu durante muitos anos fora da Rússia. Suas experiências no estrangeiro tiveram grande influência em sua obra, fato que o fez ficar conhecido como o mais ocidentalizado dos escritores russos. Era desprezado por Dostoievski, que não suportava o seu pensamento cosmopolita, mas isso não o impediu de pedir-lhe dinheiro emprestado. Turguêniev só emprestou metade da quantia – paga 11 anos depois.
4. Fiódor Dostoievski

Somente uma literatura tão completa como a Literatura Russa é capaz de deixar alguém como Dostoievski em 4º lugar desta lista. Um dos maiores autores da história da humanidade, Dostoievski teve uma vida bastante complicada. Na juventude, foi preso acusado de conspiração contra o Tsar. Condenado a morte, teve sua pena transformada em trabalhos forçados somente quando já estava prestes a ser fuzilado, tal fato o marcou para sempre. Viveu anos preso na Sibéria até finalmente ser solto. Crente fanático, epiléptico, viciado em jogo, passou boa parte de sua vida endividado, fugindo de credores. Entre uma fuga e outra escreveu alguns dos maiores clássicos da literatura mundial.
03. Nicolai Gogol
Contista genial, romancista e teatrólogo, é considerado, juntamente com Aleksandr Púchkin, um dos fundadores da moderna literatura russa. Renovador e vanguardista, trouxe para a literatura russa o realismo fantástico e escreveu algumas obras-primas do conto universal. Os contos O capote - considerado por Jean-Paul Sartre como fundador da literatura moderna -, e O Retrato são algumas das peças mais líricas da vertiginosa obra de Gogol. Dostoievski o considerava um grande mestre. (Saiba mais sobre Gogol aqui)

02. Leon Tolstoi
A vida de Tolstoi é bem simples, nasceu rico (era conde) mas ficou órfão muito cedo. Quando ficou mais velho, lá pelos 20 anos, resolveu fazer que nem o Ferris Bueller, ou seja, resolveu curtir a vida adoidado. Alistou-se no exército russo, passou a beber todas e gastar toda a grana dos pais em jogos e putas. Pode-se dizer que, nessa época, na cidade em que Tolstói passava, não existia puta pobre.

Ficou mais velho, casou, teve filhos e aquietou o rabo. A mulher era uma chata, por isso eles passaram boa parte da vida conjugal brigando e discutindo. Sem ter o que fazer, ele passou a escrever e nessa brincadeira escreveu alguns dos maiores clássicos da literatura mundial, como Guerra e Paz e Anna Karenina.
Quando ficou velho (82 anos) Tolstói se cansou da vida e resolveu fugir de casa, pois não acreditava mais na vida que vivia. O velho então pegou as malas e saiu viajando de trem pela Rússia. Durante alguns dias a fuga foi um sucesso. Nos trens e nas estações por que passava, Tolstoi era reconhecido por todos, já que era o homem mais famoso da Rússia. Porém, devido a sua preferência em viajar em vagões de terceira classe, onde havia frio e fumaça, o já debilitado escritor contraiu uma pneumonia, que foi agravando rapidamente. No dia 20 de novembro de 1910, o velho escritor morreu durante a fuga, de pneumonia, na estação ferroviária de Astapovo, província de Riazan.

O trem funerário que trazia seu corpo foi recebido por camponeses e operários que viviam próximos à propriedade dos Tolstoi. Seu caixão foi carregado seguido por uma multidão de 3 a 4 mil pessoas. O número teria sido ainda maior se o governo de São Petesburgo não tivesse proibido a vinda de trens especiais de Moscou para o enterro do escritor. Sua morte foi noticiada nos principais jornais do mundo.

01. Anton Tchekhov

Tchekhov inventou uma nova forma de escrever contos: “um mínimo de enredo e o máximo de emoção”. Suas histórias eram o contrário das histórias intrigantes, de desfecho inesperado, que predominavam entre os praticantes do gênero; ele preferia criar atmosferas, registrando situações abertas que não se encerravam no fim dos relatos. É o que chamamos hoje de conto moderno. Com uma visão de mundo ora humorística, ora poética, ora dramática, Tchekhov captou momentos ocasionais da realidade, fatias de vida, pequenos flagrantes do cotidiano, estados de espírito da gente comum. A genialidade de sua arte está em transformar uma série de incidentes laterais e de pormenores aparentemente insignificantes da existência individual em representações perfeitas do destino humano. Suas histórias não tinham o fanatismo e a densidade de Dostoievski nem o idealismo de Tolstoi, eram apenas humanas.

terça-feira, 4 de Janeiro de 2011

[Clássicos de Literatura] Crime e Castigo


Sinopse

Publicado em 1866, Crime e Castigo é a obra mais célebre de Fiódor Dostoiévski. Neste livro, Raskólnikov, um jovem estudante, pobre e desesperado, perambula pelas ruas de São Petesburgo até cometer um crime que tentará justificar por uma teoria: grandes homens, como César e Napoleão, foram assassinos absolvidos pela História. Este ato desencadeia uma narrativa labiríntica que arrasta o leitor por becos, tabernas e pequenos cômodos, povoados de personagens que lutam para perservar sua dignidade contra as várias formas da tirania.

Informações adicionais sobre o livro (CUIDADO!! Algumas partes contêm revelações do enredo. Leia por sua conta e risco :])

1. A Rússia no século XIX


Em 1865 a Rússia encontrava-se em um estado de completo atraso em relação aos demais países da Europa. Enquanto o resto da Europa estava em plena revolução industrial o então império russo ainda se encontrava na idade media. O país ainda era divido em feudos e a maioria da população era rural, para se ter uma ideia, enquanto o resto da Europa já havia praticamente abolido o absolutismo e o constitucionalismo já começava a dar seus primeiros passos, inclusive com o surgimento dos direitos e garantias fundamentais de 1ª geração, na Rússia até o ano de 1861 existiu o sistema de servidão que forçava os Mujiques(camponeses) a permanecerem nas terras sem que tivessem o direito de possuí-las, os senhores feudais podiam vender as terras juntamente com os servos que nela trabalhavam. Além disso, tinham o direito de tratar os camponeses da forma que eles quisessem, desde que não os matassem.

Além disso, o império russo era formado por mais de 100 etnias diferentes, não existindo assim um forte sentimento nacionalista como em outros países europeus da época, e devido a isso a Rússia da época passava por um forte processo de europeização, podemos notar que há várias correntes teóricas no livro.

2. O Autor

Fiódor Mikhailovich Dostoiévski, Moscou, 11 de Novembro de 1821 — São Petersburgo, 9 de Fevereiro de 1881. Fiódor foi o segundo dos sete filhos nascidos do casamento entre Mikhail Dostoyevski e Maria Fedorovna. Mikhail era um pai autoritário, então médico no Hospital de pobres Mariinski, em Moscou, e a mãe era vista pelos filhos como um paraíso de amor e de proteção do ambiente familiar.

Seu pai tornou-se um nobre em 1828. Até 1833, Fiódor foi educado em casa, mas com a morte precoce da mãe por tuberculose em 1837, e a decorrente depressão e alcoolismo do pai, foi conduzido, com o irmão Fiódor Mikhail, à Escola Militar de Engenharia de São Petersburgo, onde começou a demonstrar interesse pela Literatura.

Em 1839, quando tinha dezoito anos, recebeu a notícia de que seu pai havia morrido. É aceito hoje, porém sem provas concretas, que o doutor Mikhail Dostoiévski, seu pai, foi assassinado pelos próprios servos de sua propriedade rural em Daravói, indignados com os maus tratos sofridos.Tal fato exerceu enorme influência sobre o futuro do jovem Fiódor, que desejou impetuosamente a morte de seu progenitor e em contrapartida se culpou por isso, fato que motivou Freud a escrever o polêmico artigo Dostoiévski e o Parricídio.

Dostoiévski sofria de epilepsia e seu primeiro ataque ocorreu quando tinha nove anos. Suas experiências epiléticas serviram-lhe de base para a descrição de alguns de seus personagens, como o príncipe Myshkin no romance O idiota, e de Smerdyakov na obra Os Irmãos Karamazov.

Dostoiévski foi detido e preso em 23 de abril de 1849 por participar de um grupo intelectual liberal chamado Círculo Petrashevski, sob acusação de conspirar contra o Nicolau I da Rússia. Depois das revoluções de 1848, na Europa, Nicolau mostrou-se relutante a qualquer organização clandestina que poderia pôr em risco sua autocracia.

Em 23 de abril de 1849, ele e os outros membros do Círculo Petrashevski foram presos. Dostoiévski passou oito meses na prisão até que, em 22 de dezembro, a sentença de morte por fuzilamento foi anunciada. Dostoiévski teve de situar-se em frente ao pelotão de fuzilamento com uma venda e até mesmo ouvir os seus disparos. No último momento, as armas foram abaixadas e um mensageiro trouxe a informação de que czar havia decidido poupar a vida do escritor. Sua pena foi comutada para cinco anos de árduo trabalho em Omsk, na Sibéria

A influência de Dostoiévski é imensa, de Hermann Hesse a Marcel Proust, William Faulkner, Albert Camus, Franz Kafka, Yukio Mishima, Roberto Arlt, Ernesto Sábato e Gabriel García Márquez, para citar alguns autores. Na verdade, nenhum dos grandes escritores do século XX foram alheios ao seu trabalho (com algumas raras exceções, tais como Vladimir Nabokov, Henry James ou D.H. Lawrence). O romancista americano Ernest Hemingway também citou Dostoiévski em uma de suas últimas entrevistas como uma das suas principais influências.

Nietzsche referiu-se a Dostoiévski como "o único psicólogo com que tenho algo a aprender: ele pertence às inesperadas felicidades da minha vida, até mesmo a descoberta Stendhal." Certa vez disse, referindo a Notas do Subsolo: "chorei verdade a partir do sangue". Nietzsche refere-se constantemente a Dostoiévski em suas notas e rascunhos no internato entre 1886 e 1887, além de escrever diversos resumos das obras de Dostoiévski. "Um grande catalisador: Nietzsche e neo-idealismo russo", disse Mihajlo Mihajlov.

Com a publicação de Crime e Castigo em 1866, Fiódor se tornou um dos mais proeminentes autores da Rússia no século XIX, tido como um dos fundadores do movimento filosófico conhecido como existencialismo. Em particular, Memórias do Subsolo, publicado pela primeira vez em 1864, tem sido descrito como o trabalho fundador do existencialismo. Para Dostoiévski, a guerra é a revolta do povo contra a idéia de que a razão orienta tudo.

3. O Espaço


O livro se passa em São Petersburgo, então capital do império russo. São Petersburgo foi construída sobre um pântano e por isso exalava mau cheiro, excepcionalmente em sua parte pobre. Raskolnikov morava em um pequeno quarto na parte mais miserável da cidade. Os locais que ele costumava frequentar são geralmente claustrofóbicos e degradantes, como o Mercado do Feno, frequentado pela escoria da sociedade da época, como os bêbados, a baixa soldadesca e as prostitutas.

É nesse ambiente que a ação se desenvolve.

Toda essa miséria e degradação acabam por interferir nos personagens, que se dividem em dois grandes grupos: o primeiro é composto por aqueles que se deixaram levar pela miséria e acabam por sofrer um processo de degradação interna, transformando-se em seres amorais. O segundo grupo é composto por aqueles que não se conformam com a situação de miséria a que são submetidos e, a sua maneira, tentam reagir de alguma forma.

Há também, durante todo o livro, uma imensidão de personagens com ideologias diferentes. Existem os niilistas, os socialistas, os religiosos, os existencialistas etc. Durante todo o romance esses personagens travam uma verdadeira “guerra” filosófica entre suas ideologias, especialmente entre o espiritualismo (Representando por Sônia, a prostituta boazinha) e o niilismo (Raskolnikhov).

4. O Personagem


No livro somos apresentados a Raskolnikov. Raskolnikov, nome que em russo significa "ruptura" ou "divisão" , é um jovem pobre e estudante de direito que mora em uma pensão miserável na então capital do império russo: São Petersburgo. Ele é do interior, e sobrevive na cidade graças ao pouco dinheiro que é enviado pela sua mãe e irmã. Certo dia ele resolve abandonar a universidade e passa meses trancados em seu pequeno quarto desenvolvendo uma teoria e planejando um modo pôr-la em prática

Era um homem solitário e sem amigos, que evitava a companhia das pessoas sempre que possível. Era, também, um homem muito orgulhoso e que se achava um homem melhor que as outras pessoas. O seu estado de extrema pobreza o incomodava e também o oprimia. E, talvez, tenha sido o seu estado de extrema pobreza que tenha desemcadeado os assinantos, na medida em que ao receber uma carta de sua mãe, narrando que a sua irmã irá se casar com um homem rico, mas cruel, para ajudar a financiar os seus estudos, é que o personagem teve a percepção de que falhou com sua família, que havia depositado toda a esperança de um futuro melhor em seu sucesso como estudante.

Além disso, com o passar do tempo em conseqüência dessa pobreza ele acaba desenvolvendo uma doença que quase o mata, tendo cometido os crimes ainda sob o efeito desta.

5. A Teoria

No mundo, segundo ele, existem duas subdivisões de pessoas: as ordinárias e as extraordinárias. Segundo o próprio personagem, “à primeira, pertencem , em geral, os conservadores, os homens de ordem, que vivem na obediência e têm por ela um culto. (...) As pessoas desse grupo não acrescenta nada ao mundo.

No segundo grupo se encontram as pessoas que vieram ao mundo para modificá-lo, essas pessoas estão acima da lei e podem, inclusive, em defesa de suas ideias, cometer qualquer crime.

O primeiro grupo é composto pelos senhores do presente, já o segundo grupo é composto pelos senhores do futuro.

6. O Crime


Cansado e desiludido com sua vida, Raskolnikov resolve abandonar a universidade e as aulas que costumava lecionar para complementar a sua renda e entregá-se a miséria absoluta, passando a viver com o pouco dinheiro que é enviando por sua família, dinheiro este que logo revela-se insuficiente. Sem alternativa, ele acaba tendo que penhorar seus poucos bens para uma velha usuraria.

Esta velha é descrita como uma criatura má e caprichosa, que se aproveitava da desgraça alheia. Emprestava, ela, por um objeto um quarto do seu valor de mercador e apesar de ser pequena e franzina, frequentemente batia em sua irmã mais nova, a quem tratava como uma empregada.

Devido a isso ele a considera como um “piolho” social. Um ser que não é útil a ninguém; pelo contrário, é prejudicial a todos e por isso ele decide matá-la e roubar o dinheiro que ela havia ganho explorando a desgraça alheia e, com isso, esperava iniciar uma nova vida. Depois de planejar por cerca de um mês, ele decide por seu plano em prática e em uma noite, completamente febril e quase delirando devido uma doença, dirige-se a casa da velha, que se encontrava sozinha em casa, com a desculpa de penhora um objeto e a mata com golpes de machados, mas inesperadamente a irmã da usuraria chega ao apartamento ele acaba a matando também, após o duplo assassinato ele foge, sem ser visto, com alguns objetos da vitima.

7. O Castigo


Após cometer o duplo homicídio, Raskolnikov evadiu-se do local e passou a perambular pela cidade em um estado paranóico. Completamente histérico, ele livra-se de todas as provas que possam ligá-lo ao crime e volta para casa onde é encontrado quase morto devido a sua doença por um amigo.

Alguns dias depois, já restabelecido de sua doença, ele começa a ter a exata noção do crime que cometeu e passa a andar pela cidade refletindo sobre seus atos. Frise-se que o seu crime foi quase perfeito, pois não havia testemunhas e nem suspeitas sobre sua pessoa e, além disso, outra pessoa assumiu a autoria do crime. Durante esse tempo Raskolnikov sofre uma imensa tortura psicológica, sentindo-se culpado pelo crime que cometeu, especialmente em relação à morte não planejada da irmã da usuraria, passando a repensar a sua vida e suas atitudes.

Depois de muito pensar e de sofrer uma imensa tortura psicológica, ele resolve entregar-se, unicamente por não mais agüentar o castigo moral que ele mesmo se impôs. Após entregar-se, é julgado, tendo sua pena atenuada por ter apresentado-se espontaneamente a polícia e por bom comportamento antes do crime, tendo inclusive salvado algumas pessoas de um incêndio, e é enviado para a Sibéria. Lá, é presenteado com uma bíblia e finalmente encontra sua redenção, ao arcar com seus atos perante não só aos homens como a Deus. (Dostoiévski e sua maldita mania de exaltar o Cristianismo.)

8. Conclusão

Talvez, na cabeça de Raskolnikov, não houvesse crime em nenhum momento. O que o atormentava nem chegava a ser a velha, mas a possibilidade de ser pego. Assim, o crime em si não pareceu afetá-lo diretamente, mas pensar que não era um ser extraordinário, nem tão sangue frio como imaginava.

Isso mostra que Raskolnikov foi leal, até ao fim, ao seu delírio de arrancar uma erva daninha do solo e devolver a ele várias mudas de árvores. E, como sua ideia não transcorreu do modo como imaginara, resolveu pagar pelo crime em troca de um pouco de paz. Bem verdade, que podemos alegar que ele se compadeceu dos inocentes presos e também da memória das duas vítimas. Qual das possibilidades é a mais correta? Nunca saberemos.Tais perguntas são impossíveis de serem respondidas. Cada novo leitor interpretará a obra a sua própria maneira.

domingo, 2 de Janeiro de 2011