sábado, 29 de outubro de 2011

Os mais memoráveis inícios de livros

Se por um lado é certo que não podemos julgar um livro apenas pelo seu início, por outro lado é igualmente certo que um bom início de livro pode ser decisivo na escolha do leitor acerca da leitura ou não da obra. Assim, elaborei uma pequena lista dos mais memoráveis começos de livros que eu já tive o prazer de ler. Passemos a ela:

O Estrangeiro - Albert Camus



"Hoje, mamãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do asilo: "Sua mãe faleceu. Enterro amanhã. Sentidos pêsames.". Isso não esclarece nada. Talvez tenha sido ontem."

Memórias Póstumas  de Brás Cubas - Machado de Assis



"Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais elegante e mais novo."

Memórias do Subsolo ou Notas do Subterrâneo -  Fiódor Dostoiévski


"Eu sou um homem doente... Sou um homem malvado. Sou um homem desagradável. Creio que tenho uma doença do fígado. Aliás, não compreendo absolutamente nada de minha moléstia e não sei mesmo exatamente onde está o mal."

Fahrenheit 451 - Ray Bradbury


"Queimar era um prazer".

A Metamorfose - Franz Kafka


"Certa manhã, ao despertar de sonhos intranquilos, Gregor Samsa encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso".

O Processo - Franz Kafka 


"Alguém certamente havia caluniado Josef K., pois, sem que tivesse feito mal algum, ele foi detido certa manhã."

Anna Karenina - Liev Tólstoi 


"As famílias felizes são todas iguais; as infelizes são infelizes cada uma a sua maneira".

Cem anos de Solidão - Gabriel García Márquez


"Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo."


E paras vocês, caros leitores, quais são os mais impressionantes inícios de livros?

14 ensinamentos duvidosos do ditador líbio Muamar Kadafi



O Green Book, ou Livro Verde, escrito pelo ditador líbio Muamar Kadafi, traz a filosofia política e social que ele defende para o país. Traduzido para cerca de 90 idiomas, o Livro Verde foi publicado originalmente em 1975 para ser lido por todos os líbios – as crianças, inclusive, passam algumas horas por semana estudando as lições na escola. Trechos dele são transmitidos todos os dias na televisão e no rádio e seus slogans são encontrados em outdoors e pintados em edifícios do país. O livro, que traz uma mistura de nacionalismo árabe com socialismo utópico, foi escrito em linguagem simples e traz frases de fácil memorização – bem apropriadas para fixar as ideias na cabeça das pessoas.  Desde o início da guerra na Líbia, no começo do ano, exemplares têm sido queimados por manifestantes anti-Kadafi.

Entre os líbios, há quem considere a obra como a solução para todos os problemas do país (coisa que o próprio livro se propõe a ser) e há quem o veja como o fruto da mente confusa de um ditador que subestima a inteligência do seu povo – e faz umas afirmações pseudocientíficas um tanto equivocadas. Selecionamos alguns trechos do Livro Verde para você entender o porquê.


1- Família
“A família é exatamente como uma planta, composta por ramos, folhas e botões. Adaptar a paisagem natural ou transformá-la em jardins ou parques é um processo artificial que nada tem a ver com a verdadeira natureza das plantas. Também fatores políticos, econômicos ou militares têm transformado grupos de famílias em Estados que nada têm a ver com a humanidade.”

2- A lei
“Que um comitê ou um Parlamento legisle para a sociedade é injusto e antidemocrático. (…) A verdadeira Lei de uma sociedade é o costume (tradição) ou a religião; todas as outras tentativas fora destas duas fontes são inúteis e ilógicas.”

3- Nacionalismo
“O nacionalismo no mundo dos homens e o instinto de grupo no mundo animal funcionam como a lei da gravidade no mundo mineral. Se, por um acaso, a massa solar se desagregasse a ponto de perder a sua gravidade, gases explodiriam em todas as direções e a unidade do Sol deixaria de existir. A unidade é, portanto, a base da sua sobrevivência.



4-Mulher
“A mulher é uma fêmea e o homem é um macho. De acordo com os ginecologistas, a mulher é menstruada ou está doente todos os meses, enquanto que o homem, sendo macho, não é menstruado e não está sujeito ao período mensal de hemorragia. (…) Quando o ciclo menstrual para é porque a mulher está grávida. Se ela está grávida, fica, devido à gravidez, doente durante cerca de um ano, o que significa que todas as suas atividades naturais ficam seriamente reduzidas até ela parir o seu bebê. (…) Como o homem não engravida não está sujeito às doenças que a mulher, sendo fêmea, sofre.”

5- Esportes
Tal como não seria correto permitir às pessoas a entrada nos templos para assistir às orações dos crentes, também é absurda a presença de pessoas nos estádios para verem jogar um pequeno grupo. Num estádio deveriam ser elas próprias a jogar. O desporto público é para as massas. Ele constitui um direito de todo o povo para a sua saúde e recreio. (…) Os milhares de pessoas que enchem os estádios para ver, rir e aplaudir são idiotas que não souberam praticar essa atividade elas próprias.”

6- Religião
“A regra ideal seria que cada Nação tivesse uma religião. O contrário disto cria uma situação anormal geradora de disputas no seio do mesmo grupo nacional. (…) Quando o fator social é compatível com o fator religioso, a harmonia é possível e a vida do grupo é estável desenvolvendo-se saudavelmente.”

7- Cultura e genética (?)
“Se determinado grupo de pessoas usar roupas brancas em sinal de luto e outro grupo usar roupas negras com o mesmo fim, o primeiro grupo odiará a cor branca e o segundo odiará, pela mesma razão, a cor negra. Esse sentimento em relação às cores tem efeitos físicos nas células e nos genes, transmitindo-se, portanto, de geração em geração. O herdeiro odiará automaticamente a cor odiada pelo seu legador em virtude de ter herdado o seu sentimento em relação às cores.”

8- Maternidade
“Dispensar o papel natural da mulher na maternidade, ou arranjar creches para substituir as mães é o princípio de dispensar a sociedade humana transformando-a numa sociedade biológica com um modo de vida artificial. Separar as crianças das mães e amontoá-las em creches é um processo através do qual estas são transformadas em algo parecido com pintos. As creches parecem-se com aviários onde os pintos são engordados, depois de saírem dos ovos.”

9- Trabalho feminino forçado
“Não é verdadeira a convicção generalizada, mesmo entre as mulheres, de que a mulher executa trabalho físico por vontade própria. De fato, ela executa trabalho físico apenas porque a sociedade dura e materialista a colocou, sem ela disso ter consciência direta, sob condições coercivas. Ela não tem alternativa senão submeter-se às condições dessa sociedade embora pense que trabalha por vontade própria.”

10- Diferenças entre homem e mulher
“A regra de que a “mulher é em tudo igual ao homem” priva a mulher da sua liberdade. A mulher é terna. A mulher é bonita. A mulher chora facilmente. A mulher assusta-se com facilidade. Em geral, a mulher é gentil, e o homem, rude em virtude das suas próprias naturezas internas.”

11- “O pretos prevalecerão no mundo”
“Surgiu a raça branca a impor o seu colonialismo em todos os continentes. É agora a vez de a raça negra se impor por seu turno. Os negros encontram-se atualmente em situação social muito atrasada. Contudo esse atraso favorece-os numericamente uma vez que o seu baixo nível de vida os protege das medidas anticoncepcionais e do planejamento familiar. As suas tradições sociais atrasadas também os levam a não limitar os casamentos, o que favorece o seu crescimento ilimitado, enquanto que as outras raças vão decrescendo de número devido às práticas de controle dos nascimentos, às restrições impostas ao casamento e à permanente ocupação no trabalho (em contrapartida, os pretos vivem ociosamente num clima sempre quente).”

12- Vigilância
“Uma vez que uma tribo é uma grande família, ela proporciona aos seus membros os mesmos benefícios sociais e vantagens materiais que a família proporciona aos seus. Nesse aspecto, a tribo é uma família secundária. Contudo, o indivíduo poderá, no seio da tribo, ter um comportamento como não ousaria. Sendo a família numericamente inferior, o indivíduo pode mais facilmente escapar à vigilância, o que já não acontece na tribo onde a vigilância é sentida e exercida por todos os membros.”

13- Dinheiro
“Pois que assim é, nenhum indivíduo tem o direito de desenvolver uma atividade econômica com o objetivo de adquirir dessa riqueza mais que o necessário para satisfazer as suas necessidades, porque o excedente pertence a outros indivíduos.”

14- Espetáculos
“As pessoas que dirigem elas próprias as suas vidas não precisam de observar o comportamento dos atores nos palcos ou nos cinemas. (…) Os povos beduínos não manifestam interesse pelos teatros e outros espetáculos porque são homens inteiros e íntegros. Na medida em que criaram uma vida harmoniosa e integrada ridicularizam a representação.”

Retirei Daqui

sábado, 22 de outubro de 2011

6 escritores consagrados que não enxergavam direito

Homero




O autor grego dos poemas épicos Ilíada e Odisseia é muito controverso. Nem mesmo o século de seu nascimento é muito preciso. O século 8 a.C. é conhecido como a “data de Homero”, a época em que supostamente os poemas foram escritos. Isso significaria que Homero viveu 4 séculos após a Guerra de Troia, que ele narra com tantos detalhes na Ilíada. Confuso?

Se não sabemos sequer quando e onde nasceu (ou mesmo SE nasceu – existem teóricos que duvidam de sua existência), como saber se ele era cego? O que temos são teorias, mas mesmo assim ele não poderia faltar nessa lista. O nome Homero deriva de “homerus”, que significa “refém”, palavra muitas vezes usada como sinônimo para “cego” em grego. Ainda que existam documentos se referindo ao autor como “bardo cego”, pode ser que seu nome também significasse “aquele que guia os que não veem”, através da poesia. Esperamos a criação de uma máquina do tempo e/ou o Doctor Who para confirmar o que se diz sobre o escritor.

Luís de Camões



Nascido em 1524 em Portugal, Camões, um dos grandes poetas da Língua Portuguesa, perdeu um dos olhos em um campo de batalha na África. Felizmente, isso não impediu o escritor de escrever “Os Lusíadas”, epopeia nacionalista que conta a história do descobrimento da rota marítma para a Índia por Vasco da Gama. Publicada em 1572, a obra foi escrita durante algumas viagens do autor pelo Oriente – conta-se, inclusive, que Camões naufragou em uma jornada de volta a Goa e que os únicos sobreviventes do desastre foram o poeta e o manuscrito de sua obra-prima.

Ainda que não tivesse uma visão perfeita (a percepção da profundidade é mais prejudicada pela falta de um olho), Camões não deixou de viver loucamente: foi preso várias vezes, lutou em diversas batalhas ao redor do mundo, amou mulheres que o rejeitaram e, no fim, voltou a Portugal – mas não como heroi. Faleceu em 1580 com pouco dinheiro no bolso e sem o devido reconhecimento por sua obra.

John Milton



O poeta, nascido em 1608, ditou o épico “O Paraíso Perdido” da prisão, entre 1658 e 1664 e publicou-o em 1667. O autor foi preso por apoiar Oliver Cromwell durante o curto período republicano da Inglaterra e teria ficado cego enquanto cumpria sua pena, vítima de glaucoma.

“O Paraíso Perdido” conta a história da criação de Adão e Eva, a queda de Lúcifer e a sua expulsão do paraíso. A obra mistura paganismo, mitologia clássica e cristianismo no mesmo caldeirão. Em 1771, Milton publicou uma sequência do poema: “O Paraíso Recuperado”, que conta a história de Jesus. O poeta ficou consagrado por escrever em “versos brancos”, que possuem métrica, mas não rimam.

James Joyce


Nascido em 1881, o escritor irlandês é considerado um dos autores mais influentes do século XX. Entre seus trabalhos mais famosos estão “Dublinenses”, “Ulisses” e “Finnegans Wake”, sendo o último a sua obra mais experimental (e díficil de entender). Informalmente, Joyce também é conhecido como o maior escritor que todos fingem que já leram.

Joyce sofreu com vários problemas nos olhos e teve que se submeter a diversas cirurgias, sem conseguir jamais recuperar totalmente sua visão. Sylvia Beach, editora de algumas das obras do escritor, conta em seu livro “Shakespeare and Company” que as provas gráficas de Ulisses eram aumentadas diversas vezes para que o escritor pudesse revisá-las. Para escrever “Finnegan’s Wake”, Joyce contou com a ajuda de diversos assistentes que escreviam o que ele ditava. Um deles era o dramaturgo e novelista Samuel Beckett (mais conhecido pela peça “Esperando Godot”, em que nada acontece. Sério.).


Aldous Huxley



Autor de “Admirável Mundo Novo”, Huxley teve uma doença chamada queratite pontuada que o deixou praticamente cego em 1911, quando tinha 17 anos. A limitação da visão impediu o inglês de servir o exército durante a Primeira Guerra Mundial.

Alguns acreditam que essa quase completa cegueira que durou quase três anos foi o que salvou o autor dos horrores da guerra e possiblitou que ele se tornasse um professor na universidade de Oxford. Sua visão foi melhorando com o tempo – em 1940, ele precisava apenas de lentes de aumento para ler. Huxley publicou seu primeiro livro aos 20 anos e “Admirável Mundo Novo” aos 38, antes de se mudar para os Estados Unidos em 1937.


Jorge Luis Borges




Um dos grandes romancistas e ensaístas argentinos do século XX – talvez o maior deles – sofreu com uma cegueira hereditária progressiva que o deixou completamente cego em 1955 quando Borges tinha 56 anos. A falta de visão não impediu o autor de “Ficções” e “O Aleph” de continuar produzindo, inclusive ironizando sobre sua própria limitação.

Teimoso, Borges nunca aprendeu Braille. Assim que sua visão o tornou mais dependente, mudou-se para a casa da mãe, que atuou como sua assistente pessoal até morrer, aos 99 anos, em 1975.  Depois da morte dela, Borges viajou muito pelo mundo na companhia da secretária com a qual casaria em 1986, no Paraguai, poucos meses antes de morrer de câncer no fígado.

Originalmente Publicado Aqui

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

domingo, 16 de outubro de 2011

[Curiosidades Literárias] O que foi a geração beat?


Foi um movimento literário originado em meados dos anos 1950 por um grupo de jovens intelectuais que estava cansado do modelo quadradinho de ordem estabelecido nos EUA após a Segunda Guerra Mundial. Com o objetivo de se expressarem livremente e contarem sua visão do mundo e suas histórias, esses escritores começaram a produzir desenfreadamente, muitas vezes movidos a drogas, álcool, sexo livre e jazz – o gênero musical que mais inspirou os beats. Mais do que escrever, esse grupo de amigos tinha interesse em estar sempre junto, compondo, viajando, bebendo e, por vezes, transando em grupo.

O beat chegou a outras formas de arte, mas com menos impacto. Na literatura, durou entre 1944 e 1959


As características do movimento:

- Intensidade em tudo: no estilo narrativo, nos temas, nos personagens

- Escrita compulsiva

- Fluxo de pensamento desordenado, por vezes caótico

- Linguagem informal, cheia de gírias e palavrões, ou com o chamado “hip talk” (um vocabulário típico do submundo marginal da cidade de Nova York)

- Grande valorização da transmissão oral

- Apoio à igualdade étnica, à miscigenação e às trocas culturais entre raças


O ícone

Jack Kerouac (1922-1969)

Principal obra: On the Road (1957)



Seu mais importante livro, que viria a se tornar a “Bíblia hippie”, fala sobre sua viagem de sete anos cruzando os EUA, com descidas frequentes ao México. Kerouac o redigiu em apenas três semanas, com uma máquina de escrever e dois rolos de papel (para não ter de parar para colocar novas folhas na máquina). Seu “estilo-avalanche”, sem preocupação com pontuação e parágrafo, foi estimulado pelo uso de benzedrina, um tipo de anfetamina.

O poeta

Allen Ginsberg (1926-1997)

Principal obra: Uivo e Outros Poemas (1955-1956)




Ideólogo, pensador e agitador do movimento, foi também o responsável pela chamada “extensão” do beat às gerações futuras. Diz-se até que foram seus cabelos compridos, sua barba e suas batas coloridas (adquiridas em uma viagem à Índia) que teriam inspirado o típico visual dos hippies. Para compor suas poesias, provou todo tipo de droga (até distribuiu LSD nas ruas!), mas depois “viciou-se” em ioga e meditação.

O junkie

William Burroughs (1914-1997)

Principal obra: Almoço Nu (1959)





Foi o que mais sofreu com as drogas – passou por várias reabilitações e tratamentos. Em uma viagem ao México, tentou acertar um tiro em um copo equilibrado sobre a cabeça de sua mulher, Joan Vollmer, mas acabou matando-a. Veio à América do Sul estudar o alucinógeno vegetal ayahuasca e também iniciou (mas não completou) vários manuscritos sobre a homossexualidade

O editor

Lawrence Ferlinghetti (1919-)

Principal obra: Um Parque de Diversões da Cabeça (1958)




É o maior expoente vivo do beat, talvez por nunca ter levado o mesmo estilo de vida desenfreado que os outros. Sem sua coragem, nunca conheceríamos as loucuras de seus colegas: sua editora, a City Lights, publicou as principais obras do movimento. Algumas lhe deram muita dor de cabeça – ele chegou a ser preso após lançar Uivo, acusado de obscenidade.

O rebelde

Gregory Corso (1930-2001)

Principal obra: Bomb (1960)





Abandonado pela mãe ainda recém-nascido, passou por vários lares adotivos e orfanatos até ser preso, na adolescência, por furto. Na cadeia, tornou-se autodidata e descobriu a literatura. Foi o mais jovem dos beats e, assim como seu amigo Ginsberg, que o introduziu ao grupo, tornou-se poeta. Revoltado e insubordinado, também chegou a ser internado em um hospício mais de uma vez

...e como ficou:

Onde você encontra a influência deles:

- Nos movimentos estudantis e na onda hippie dos anos 60, que herdaram causas como a ecologia e o amor livre;

- Na liberação feminista e no movimento homossexual, em parte consequências da luta dos beats pela liberdade sexual;

- Em canções de Bob Dylan e Jim Morrison e em filmes de Wim Wenders e Jim Jarmusch;

- No punk rock, considerado uma retomada do espírito beat por sua verve selvagem, espontânea e contestatória



Vi Aqui

[Curiosidades Literárias] Don Juan realmente existiu?





É bem provável que o lendário sedutor tenha sido inspirado por uma pessoa de carne e osso, mas até hoje ninguém conseguiu comprovar isso. Vários historiadores tentaram descobrir sua identidade pesquisando famílias aristocráticas na Espanha e chegaram a supor que ele seria Miguel Mañara, nobre de Sevilha famoso por seu comportamento libertino. Mas Mañara acabou sendo descartado porque nasceu em 1626, apenas quatro anos antes de o personagem estrear na obra O Burlador de Sevilha e O Convidado de Pedra, do espanhol Tirso de Molina, de 1630. "Acredita-se que Molina teria se baseado em vários contos populares sobre libertinos da época. Foi o elemento demoníaco do sedutor, em uma época muito religiosa, o que o tornou tão popular", afirma o filósofo Renato Janine Ribeiro, da Universidade de São Paulo (USP). De fato, Don Juan transformou-se em fonte de inspiração para inúmeras obras de arte no mundo todo.

A história começou a se espalhar pela Europa com a peça do francês Molière, Don Juan ou Le Festin de Pierre (Don Juan ou O Banquete de Pedra), em 1665. Seguiram-se óperas, poemas, filmes, e, assim, até hoje Don Juan continua vivo no imaginário popular.

Sedução sem fim Do teatro ao cinema, a lenda de Don Juan atravessa séculos
1630 - O BURLADOR DE SEVILHA

Escrita pelo frade espanhol Tirso de Molina, essa é a primeira versão literária que se conhece da lenda de Don Juan.

1665 - DON JUAN OU O BANQUETE DE PEDRA

Foi com essa peça de Molière, um dos maiores dramaturgos franceses, que a fama do personagem sedutor se espalhou pela Europa. Molière a escreveu logo depois de outra obra sua, O Tartufo, ser proibida no país. Don Juan, semanas após seu lançamento, também foi proibida.

1787 - DON GIOVANNI

Considerada por muitos a obra-prima do genial compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart, essa ópera estreou em Praga (na antiga Tchecoslováquia). A intensidade musical da penúltima cena, em que Don Juan é arrastado para o inferno, marcou a história desse gênero musical.

1819 - DON JUAN

Poema satírico escrito por Lord Byron, poeta inglês cuja obra teve, no século XIX, grande projeção no panorama cultural europeu, exerceu enorme influência sobre seus contemporâneos Ele começou a escrever essa série brilhante e atrevida em 1819. Ao morrer, em 1824, deixou-a inacabada.

1998 - DON JUAN

O cinema fez dezenas de versões da história do sedutor espanhol. Essa, dirigida pelo francês Jacques Weber - que também faz o papel principal - é a última delas e permanece inédita no Brasil. Entre as beldades seduzidas por ele estão Penelope Cruz e Emmanuelle Béart.