segunda-feira, 28 de maio de 2012

Escritor de A Guerra dos Mundos defendeu a eugenia


O inglês H. G. Wells (1866-1946) ficou famoso com A Guerra dos Mundos e A Máquina do Tempo, dois clássicos da ficção científica. Mas, quando imaginava o futuro olhando para o seu redor, o resultado soava assustador. Em dois de seus livros, Anticipations (1901) e The Open Conspiracy (1928), ele trata da Nova República, uma visão notoriamente racista sobre a humanidade.

"De que modo a Nova República tratará as raças inferiores? Como ela lidará com os negros? E com os judeus? Com esses enxames de pessoas de pele negra, marrom, branco-escura e amarela, que não se ajustam aos novos requisitos de eficiência? Ora, o mundo não é uma instituição de caridade, e eu assumo que não há lugar para eles", registrou o escritor, exercitando uma faceta pouco conhecida: a de defensor da eugenia, o suposto aprimoramento genético da espécie humana. Segundo Robert Schnakenberg, no livro A Vida Secreta dos Grandes Autores, "sua eterna fascinação pela eugenia representou o lado sombrio de sua visão futurista, tingida por um pouco mais que uma simples mancha de ódio pelos judeus".

No início do século passado, a defesa da eugenia não era uma prática condenada. Ela foi desacreditada quando os nazistas se apropriaram de seus princípios da forma como se sabe. "As declarações de Wells sobre raças inferiores se aproximam perigosamente dos esforços de Hitler para criar uma raça ariana", escreveu Martin Gardner na introdução da edição de Anticipations, em 1999. Curiosamente, Wells era socialista e inimigo dos nazistas.
 
Por aqui, Monteiro Lobato flertou com a eugenia em seu livro O Presidente Negro (que fala de um negro presidente dos EUA, que ironia). "Acontecem coisas tremendas, mas vence por fim a inteligência do branco", escreveu o criador de Emília ao amigo Godofredo Rangel.
 

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