quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

As Aventuras de Pi e suas controvérsias


Estamos em 2002, Brasil e Canadá travam uma intensa “guerra” comercial pelo mercado de aviões executivos. Do lado brasileiro, temos a Embraer; pelo Canadá, a Bombardier. No meio dessa disputa comercial, que nada tem a ver com a literatura, surge a acusação de que o vencedor do Booker Prize de 2002, prêmio mais importante da língua inglesa, seria fruto de um plágio. Ambos os fatos aparentemente não teriam nenhuma ligação se não fosse o fato de o vencedor do prêmio em questão ser um canadense e a suposta vítima de plágio um brasileiro. Estamos falando de Yann Martel e seu livro Life of Pi e Moacyr Scliar e seu livro Max e os Felinos.

Publicado em 1980, o livro do escritor gaúcho é composto por alguns contos. O principal deles narra a história de um menino fugitivo da Alemanha nazista que, durante sua fuga para o Brasil, sofre um naufrágio, refugiando-se em um bote junto com um jaguar. Na história, o jaguar é uma espécie de metáfora da ditadura militar, já que é um animal de convivência difícil, podendo ser violento a qualquer momento para saciar suas necessidades. Já o livro Life of Pi, que no Brasil ganhou o título de “As aventuras de Pi”, acredito dispensar maiores apresentações, já que recentemente foi adaptado para o cinema, ganhando inclusive vários prêmios, entre eles o Oscar de Melhor Diretor.

Em que pese a semelhança das histórias, no início Yann Martel negou conhecer o livro do escritor brasileiro. A imprensa canadense entrou na história e, “comprando” a versão do seu compatriota, chegou a afirmar na ocasião que a acusação de plágio não passava de uma espécie de “vingança” pelo fato de uma empresa canadense (Bombardier) disputar mercado com uma brasileira (Embraer). Posteriormente, porém, o escritor canadense assumiu que teria lido apenas uma resenha sobre o livro Max e os Felinos, escrita talvez por John Updike (novelista americano morto em 2009). Updike, contudo, declarou depois que jamais lera Max e os felinos e nem muito menos escreveu sobre o livro (até hoje tal resenha nunca foi descoberta).

No meio dessa confusão toda, o escritor brasileiro Moacyr Scliar reconheceu a semelhança entre os dois livros, mas afirmou que não se sentia inclinado a processar o canadense. Algum tempo depois, o mesmo agradeceu ao brasileiro no prefácio de As aventuras de Pi pela “faísca” inventiva, de forma que a história acabou por isso. Plágio ou não, só podemos afirmar que As aventuras de Pi jamais teria sido escrita sem que houvesse Max e os Felinos.

2 comentários:

  1. GOSTEI MUITO DO BLOG, O SUGERI NA MINHA PÁGINA NO FACEBOOK. (lIVROS INTERESANTES QUE JÁ LI).PENSO QUE A LEITURA É O MELHOR CAMINHO PARA SE DESCOBRIR O MUNDO!!!!!
    ABRAÇOS. IVANA

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  2. Concordo com vc. O pior é que muita gente defende o autor de Pi sem nem ao menos ter lido a obra de Scliar... esse sucesso todo se deve sim, a Max e os Felinos [e claro, sem tirar a genialidade da direção de Lee no filme]

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