sábado, 12 de março de 2016

6 mortes de escritores mais esquisitas que a ficção

O Goodreads, rede social voltada para recomendação de livros, fez uma lista com seis autores cujas mortes bizarras aumentaram ainda mais a sua fama — para o bem ou para o mal. Confira:

Edgar Allan Poe


 Um dos maiores autores de mistério e horror, Poe teve uma vida rodeada de mistério e estranheza. Foi considerado o primeiro autor americano a viver somente de sua literatura, o que lhe trouxe pouca estabilidade financeira e uma vida, em geral, bastante difícil. Certo dia, foi encontrado perambulando por Baltimore, "claramente perturbado". Foi levado ao hospital às pressas, onde morreu pouco tempo depois — e ninguém sabe o motivo. Entre as possíveis causas, estão excesso de álcool e drogas, tuberculose e até suicídio. Mas as teorias conspiratórias não param por aí. Uma das hipóteses mais aceitas é que Poe foi vítima de "cooping", uma ação eleitoral truculenta, organizada por gangues, que capturava pessoas aleatórias (em geral, as que estavam à margem da sociedade) e as forçava a votar inúmeras vezes em um único candidato. Para isso, a gangue embebedava as vítimas, para que não resistissem tanto à agressão. Como o escritor morreu em um ano eleitora, isso explicaria por que ele foi encontrado em forma tão lastimável no dia de sua morte. Infelizmente, nunca teremos certeza.

Em seu atestado de óbito, consta que Poe morreu de "congestão cerebral". Com um diagnóstico vago como esse e uma vida envolta em mistério, não é à toa que, até hoje, conspira-se sobre a verdadeira causa de morte desse escritor tão célebre.

Dante Alighieri

Considerado o primeiro poeta de língua italiana, Alighieri teve uma vida agitada — inclusive depois da morte. Nascido em Florença, o escritor foi exilado de sua cidade em uma medida bastante agressiva; até mesmo seus filhos foram expulsos de sua terra. Triste e decepcionado, o autor viajou por diversas cidades italianas, tendo seu destino final a cidade de Ravenna, onde morreu, ao que tudo indica, de malária. Após sua morte, a população de Florença se arrependeu do tratamento tão duro dado a um de seus artistas mais importantes, e logo nasceu uma comoção popular de que os restos mortais de Alighieri fossem trazidos de volta. O povo de Ravenna não perdeu tempo: exumou a ossada do poeta em uma parede, para que fosse impossível de encontrar. Por séculos, o esconderijo funcionou perfeitamente: os ossos de Dante só foram encontrados depois que a cidade passou por uma caprichada restauração. Então, uma parte foi enviada para Florença, enquanto alguns dos ossos permaneceram na cidade — e outros, é claro, foram roubados nesse ínterim.

Tennessee Williams


 

A morte do autor de "Um Bonde Chamado Desejo" foi tão banal que dá até medo de acontecer com a gente também. Aos 71 anos, o dramaturgo descansava tranquilo em um quarto de hotel em Nova York quando sentiu um incômodo no olho. Como isso era bastante frequente, Williams carregava sempre consigo um colírio, que tinha o hábito de abrir com a boca. Williams foi encontrado horas depois, no mesmo quarto, morto — havia engasgado e sufocado até a morte com a tampinha do colírio. Para os médicos que estudaram o corpo do escritor após a morte, não foi apenas um acidente trágico: o constante uso de drogas e álcool provavelmente afetou os reflexos de Williams, que não conseguiu se livrar da tampinha a tempo.

Jaqueline Susann

 

A morte de Susann não foi estranha; infelizmente, a autora de "Vale das Bonecas" morreu de câncer com apenas 56 anos. O curioso foi o que aconteceu depois: seu marido, Irving Mansfield, optou pela cremação da esposa — e guardou as cinzas da amada em uma urna em formato de livro, que ficava na estante, bem ao lado das obras que publicou ao longo de sua carreira. Romântico ou simplesmente bizarro?

Ésquilo


Quando a morte acontece por conta de algum erro ou distração, como no caso de Tennessee Williams, é lamentável. Mas quando é o mais puro acaso (ou melhor, falta de sorte total) que leva uma pessoa dessa para a melhor, é ainda mais triste. É o caso de Ésquilo, dramaturgo grego, que estava tranquilo ao sol, pensando na vida, quando uma tartaruga atingiu sua cabeça em cheio, matando-o instantaneamente. Um contemporâneo de Ésquilo, Valerius Maximus, encontrou a resposta para o infortúnio: à época, era comum encontrar águias voando por cima das cidades. Quando capturavam tartarugas para servirem de almoço, as aves arremessavam suas presas em cima de rochas, para que o casco se espatifasse e pudessem comer a parte mole do animal. Muito provavelmente, a águia viu Ésquilo lá de cima, confundiu-o com uma rocha e arremessou a tartaruga para quebrá-la, trazendo decepção para todos os envolvidos.

Percy Shelley

 

O poeta inglês, marido da autora de Frankenstein, morreu afogado no mar — o que por si só já é bastante trágico. Contudo, o drama não terminava por aí: ao ser cremado, todo o corpo de Percy se transformou em cinzas... exceto o coração, que permaneceu intacto. O órgão foi entregue a uma assustada Mary Shelley, e por muito tempo o mistério ficou sem resposta. Hoje, a ciência já desvendou o segredo: muito provavelmente, o coração de Shelley vinha se calcificando ao longo do tempo, tornando-o mais resistente ao fogo. Menos fantasmagórico, mas certamente muito poético.

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